Ofensiva golpeou Cabul e principais cidades afegãs

A fase inicial da operação Liberdade Duradoura, que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha lançaram hoje contra o Afeganistão, golpeou a capital Cabul e as cidades de Kandahar, Jalalabad, Mazar-I-Sharif, Ziranj, Mimruz e Farah, além de bases da rede al-Qaeda (liderada por Osama bin Laden) no norte do país. Fontes ocidentais descreveram explosões nas cercanias do palácio presidencial em Cabul, assim como no Ministério da Defesa, no aeroporto e na Rádio Sharia, a emissora dos talebans que desde o início dos ataques ficou fora do ar. Em Kandahar, a capital espiritual do Afeganistão e residência do mulá Muhammad Omar, foi destruído o centro de comando do aeroporto, segundo a rede de televisão CNN, e ficou danificado o quartel-general da milícia Taleban, de acordo com a tevê a cabo árabe Al-Jazeera. Pelo menos três centros de treinamento dos seguidores de Bin Laden foram atingidos no norte do país, segundo a Aliança do Norte, o grupo opositor ao regime Taleban que controla 10% do Afeganistão. Os ataques tiveram como objetivo também as cidades fronteiriças de Jalalabad (com o Paquistão), Ziranj (com o Irã) e Mazar-I-Sharif (com o Uzbequistão), onde densas colunas de fumaça foram vistas por testemunhas. Em Ziranj, cinco mísseis atingiram o aeroporto, localizado a menos de 10 quilômetros da fronteira com o Irã, segundo a agência de notícias iraniana INA. Embora os EUA não tenham divulgado um balanço oficial dos ataques, o Taleban assegurou, mediante um comunicado lido pela emissora Al-Jazeera, que tanto o mulá Omar quanto o milionário saudita Osama bin Laden "estão vivos e em lugar seguro". Também ficou ileso o principal colaborador de Bin Laden, Ayman al-Zawahi, que em uma primeira reação depois da primeira onda de ataques exortou "os muçulmanos" a "resistirem contra os Estados Unidos". Uma segunda incursão de aviões anglo-americanos sobre objetivos no Afeganistão, ainda em curso, "durará horas, provavelmente cinco" e será focalizada especialmente contra as bases da Al-Qaeda, disseram fontes do Pentágono. As forças ocidentais pretendem, com essa primeira onda de ataques, destruir a defesa antiaérea dos afegãos, segundo reconheceu o próprio secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, que justificou que desta maneira o caminho será aberto para operações militares por terra. Ao mesmo tempo, o Pentágono anunciou que já está a caminho a ajuda humanitária para os refugiados afegãos que fogem do regime Taleban e da guerra iniciada hoje.

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 17h05

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