AP/Jorge Saenz
AP/Jorge Saenz

Oferta de diálogo feita por líder paraguaio é rejeitada

População contrária à manobra por reeleição ataca residências de políticos e ocupa frente do Congresso

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 21h20

ASSUNÇÃO - Líderes da oposição no Paraguai rejeitaram nesta segunda-feira participar de uma mesa de diálogo marcada para amanhã se o projeto de emenda constitucional que permitiria a reeleição no país não for retirado. O governo de Horacio Cartes avisou que não recuará no plano. O texto permitiria a ele e ao ex-presidente e senador Fernando Lugo, cujo grupo apoia a manobra, disputar a eleição de 2018.

Alguns políticos favoráveis à reeleição tiveram suas casas atacadas com ovos e papel higiênico, segundo a imprensa paraguaia. A Câmara, que pretendia votar a emenda no sábado, adiou para hoje o debate, em razão da onda de violência, e nesta segunda-feira adiou novamente sem marcar uma data definitiva.

O líder do opositor Partido Radical Liberal, Efraín Alegre, disse que só participará do diálogo – convocado por Cartes pelo Facebook – quando uma investigação sobre a morte de um líder estudantil no sábado for concluída. O policial que matou Rodrigo Quintana, de 25 anos, está preso provisoriamente e outros cinco agentes também foram detidos. 

Cartes convocou, além dos líderes dos partidos políticos “com representação parlamentar” nas duas Câmaras do Congresso, representantes da Conferência Episcopal Paraguaia.

Os deputados que rejeitaram participar da conversa também reclamaram que Cartes seria representado por seu vice, Juan Afara. Mais tarde, o presidente disse no Twitter que receberia pessoalmente os líderes políticos como parte do diálogo. 

O projeto de lei, aprovado na sexta-feira por uma maioria de 25 senadores para modificar a Constituição e permitir a reeleição presidencial, provocou protestos e confrontos com a polícia. Os manifestantes chegaram a incendiar parte do edifício do Congresso e o ato terminou com um morto, 30 feridos e mais de 200 detidos. 

A oposição convocou um novo protesto para esta segunda-feira, que começaria às 19 horas locais, em frente ao Congresso, onde um grupo de mais de cem manifestantes permanecia em vigília para exigir a retirada do projeto de lei. Os organizadores pediram aos manifestantes que levassem bandeiras brancas e cópias da Constituição do país.

O monsenhor Edmundo Valenzuela, arcebispo e presidente da Conferência Episcopal Paraguaia, confirmou sua presença na reunião “como resposta ao pedido do papa Francisco”, que defendeu a busca por “soluções políticas” para os conflitos no Paraguai e na Venezuela.

Os senadores que rejeitaram a emenda constitucional se reuniram ontem com Luiz Benítez Riera, presidente da Corte Suprema de Justiça, e pediram a adoção de uma resolução sobre a inconstitucionalidade da decisão. A Constituição vigente desde 1992 proíbe a reeleição para um segundo mandato. Para alguns analistas, a rejeição está ligada à memória da ditadura do general Alfredo Stroessner, que se estendeu de 1945 a 1989. / ASSOCIATED PRESS e EFE

 

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