OMS relata potencial do "arsenal biológico" terrorista

O surgimento de envelopes com a bactéria antraz nos Estados Unidos é apenas uma das inúmeras possibilidade que os grupos terroristas contam para realizar seus atentados biológicos. O alerta foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que preparou um relatório sobre os efeitos das armas biológicas e químicas para a saúde humana e uma lista do "arsenal biológico" que potencialmente poderia ser utilizado. Segundo o estudo da OMS, além do antraz, existem pelo menos outros 42 agentes bacteriológicos, fungos e vírus que, mesmo sem o uso de tecnologias sofisticadas, seriam manipulados para atacar populações. Durante muitos anos, armas biológicas eram tratadas como "a bomba atômica dos países pobres", já que com custos relativamente menores que as armas nucleares, um governo poderia causar efeitos similares ao de uma explosão atômica. Mais recentemente, porém, a preocupação da comunidade internacional passou a ser o uso dessas armas por grupos terroristas. Varíola - Um dos agentes usados em um ataque, segundo o relatório da OMS, poderia ser o vírus da varíola. A doença já está sob controle na maioria dos países, mas existem dois laboratórios - um nos Estados Unidos e outro na Rússia - que ainda guardam exemplares do vírus. "Existem 90 milhões de doses de vacina da varíola no mundo e podemos enfrentar um ataque que use esse vírus", garante o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da OMS, David Heymann. Ebola - Mas a lista da OMS não inclui apenas agentes que já foram controlados pela ciência. Um temor da comunidade internacional seria o uso do vírus do ebola em atentados terroristas. O agente foi incluído entre os possíveis métodos que os terroristas poderiam usar para atacar já em 1992, mas até hoje pouco se sabe de que forma um governo poderia proteger sua população contra a doença. A OMS ainda lista a dengue, febre amarela e a cólera como potenciais agentes que seriam utilizados em ataques biológicos. Contágio - A agência de saúde da ONU ressalta, porém, que nem todas as 43 doenças listadas no estudo são altamente contagiosas. "A gravidade de cada um desses agentes depende de quantas pessoas seriam atingidas inicialmente pelo ataque", afirma Heymann. Segundo a OMS, o método utilizado no ataque também definiria os riscos que uma população teria de ser contaminada. Entre as possíveis táticas, os terroristas poderiam introduzir os agentes biológicos no sistema de água, refrigeração central de edifícios ou em alimentos. Seja qual for o agente e método utilizado, a OMS alerta que nem todas as conseqüências de um atentado podem ser imediatas. Um dos potenciais agentes biológicos, o Salmonella Typhi, por exemplo, poderia desenvolver câncer, o que apenas seria detectado anos após o contato com a substância. Leia o especial

Agencia Estado,

18 Outubro 2001 | 18h29

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