ONU afirma que o número de mortos na Síria ultrapassa 9 mil

Governo sírio aceitou o plano de Annan depois que este se reuniu em Moscou com o presidente russo

Efe,

27 Março 2012 | 12h44

NAÇÕES UNIDAS - O número de mortos no conflito na Síria desde que começaram os protestos contra o regime de Bashar al-Assad há mais de um ano supera os nove mil, disse nesta terça-feira, 27, o coordenador da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry.

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Serry, que informou sobre a situação no Oriente Médio ao Conselho de Segurança da ONU, encorajou o governo sírio a dar "passos imediatos" depois que Assad aceitou os seis pontos propostos pelo enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe ao país árabe, Kofi Annan.

"O governo sírio deve atuar de acordo com seus compromissos e demonstrar ao povo que está pronto para o fim da violência e o início de um diálogo político", afirmou Serry.

O funcionário da ONU ressaltou que neste momento é "urgente" deter os combates e evitar "um maior agravamento do conflito", e por isso convidou às autoridades sírias a avançar em sua colaboração com Annan.

O plano de Annan pede o fim das hostilidades sob supervisão da ONU, a libertação dos detidos nos protestos antigovernamentais e o envio de ajuda humanitária, mas não solicita mudanças no regime, assinalando que é decisão do povo sírio manter Assad no poder.

Annan assinalou em comunicado que o sinal verde ao plano por parte do regime sírio é um importante passo que pode levar ao fim da violência e do derramamento de sangue, ajudar os que sofrem e criar uma atmosfera propícia a um diálogo político "que cumpra as aspirações legítimas do povo sírio".

Serry insistiu perante o Conselho de Segurança que neste momento "o apoio de todos os atores locais e internacionais é crucial para garantir a segura aplicação do plano (de Annan) em todos os níveis".

O coordenador das Nações Unidas também destacou a "crucial importância" de garantir o acesso de ajuda e pessoal humanitário ao país para assistir "aos que mais necessitam" e assegurou que a missão para a qual a Síria convidou à ONU na semana passada foi "insuficiente".

"Essa missão não permitiu o acesso sem impedimentos a todas as organizações humanitárias que a ONU havia pedido, mas o corpo técnico do organismo pôde obter informação crucial que confirma que há uma necessidade enorme de ajuda médica e alimentícia", indicou.

"Estamos preparados para entregar ajuda humanitária imediatamente", acrescentou Serry, detalhando que a subsecretária geral para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, segue em contato com Damasco para tentar avançar nesse aspecto.

O governo sírio aceitou o plano de Annan depois que este se reuniu em Moscou com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o ministro de Exteriores, Sergei Lavrov, e no mesmo dia em que viajou à China para se reunir com o primeiro-ministro, Wen Jiabao.

Rússia e China vetaram em duas ocasiões uma resolução de condenação ao regime sírio no Conselho de Segurança, mas aprovaram na semana passada uma declaração presidencial dando o pleno apoio à missão mediadora do ex-secretário geral da ONU.  

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