REUTERS/Marco Bello
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Entidade da ONU critica Venezuela por impedir viagem de líder opositor

Organização também condenou a violência em Caracas e pediu que governo 'lide de forma imediata' com grupos paramilitares que estariam circulando pelas cidades para reprimir protestos

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 07h15
Atualizado 19 Maio 2017 | 08h12

GENEBRA – A ONU critica a decisão do governo da Venezuela de não permitir que um dos líderes da oposição, Henrique Capriles, possa viajar ao exterior para se reunir com representantes das Nações Unidas. “Lamentamos essa decisão”, disse Rupert Colville, porta-voz da ONU para Direitos Humanos. “Esperamos que isso não seja uma represália”, insistiu.

Um dos principais opositores de Maduro, Capriles disse na quinta-feira 18 que seu passaporte foi anulado quando ele estava no aeroporto de Caracas prestes a embarcar em uma viagem para denunciar as violações dos direitos humanos nas Nações Unidas em Nova York. "Meu passaporte é válido até 2020, o que eles querem fazer aqui é evitar que a gente vá às Nações Unidas", disse ele em um vídeo postado em sua conta no Twitter. "Não vou poder viajar", acrescentou.

De acordo com Colville, Capriles estaria nesta sexta-feira, 19, em Nova York com o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid al Hussein. Sem poder viajar, o líder opositor será apenas representado por seu advogado, que irá apresentar um relatório sobre violações de direitos humanos na Venezuela. 

“Não é que estamos apoiando a oposição. Nós nos encontramos sempre com políticos, jornalistas e todo tipo de gente”, justificou Colville, que confirmou que se Capriles eventualmente puder sair da Venezuela, ele terá um novo encontro com Al Hussein. “É alarmante o que ocorre na Venezuela e a tensão. A questão do passaporte não ajuda”, disse o porta-voz, que insistiu que seu escritório também não tem sido autorizado a entrar no país há anos. 

Violência. A ONU ainda condenou a violência em Caracas e pediu que o governo “lide de forma imediata” com grupos paramilitares que estariam circulando pelas cidades para reprimir protestos.  “Esses grupos de vigilantes e paramilitares não podem continuar a funcionar”, disse.

“Lamentamos a perda de vidas. Até o dia 17 de maio, foram 42 mortes no contexto dos protestos. Isso é muita gente para ser morta em protestos políticos”, disse Colville. A ONU pede que investigações sejam realizadas sobre esses casos. “Estamos preocupados com o excesso de força por parte de policiais e pedimos que sigam padrões internacionais."

Outro ponto que preocupa as Nações Unidas é o relato de civis que, uma vez detidos, estão sendo levados a julgamento em tribunais militares. “Civis participando de protestos não podem ser levados para esses tribunais”, completou Colville.

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