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ONU diz que são necessários US$600 mi para enfrentar Ebola; vítimas já somam 1.900

TONI CLARKE E SALIOU SAMB - REUTERS

03 Setembro 2014 | 20h 21

A Organização das Nações Unidas disse que seriam necessários 600 milhões de dólares em recursos para controlar o surto de Ebola na África Ocidental, uma vez que o número de mortos desde a pior epidemia do vírus superou 1.900, enquanto a Guiné alertou que a doença atingiu nova região no país.

O ritmo das infecções acelerou, com cerca de 400 mortes na semana passada, disseram autoridades nesta quarta-feira. O vírus foi detectado pela primeira vez nas profundezas das florestas no sudeste do Guiné em março.

A febre hemorrágica já se espalhou por cinco países da região e matou mais pessoas do que todos os surtos desde que o Ebola foi descoberto em 1976.

"Esta epidemia de Ebola é a mais longa, a mais grave e mais complexa que já vimos", disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), numa conferência de imprensa em Washington, acrescentando que há mais de 3.500 casos em toda Guiné, Libéria e Serra Leoa.

O médico David Nabarro, coordenador sênior da ONU para Ebola, disse que o custo de obter os materiais necessários por parte dos países da África Ocidental para controlar a crise deve ser equivalente a 600 milhões de dólares. O montante superou a estimativa de 490 milhões de dólares feita pela OMS na semana passada.

Rick Sacra, um médico de 51 anos de Boston infectado com o Ebola na Libéria, foi levado para os Estados Unidos na quinta-feira, de acordo com funcionários do hospital onde ele trabalhava. Dois outros americanos se recuperaram do vírus, após terem sido levados para o tratamento no país no último mês.

O governo de Guiné, o primeiro país a detectar o vírus, disse anteriormente que tinha contido o surto, mas anunciou que nove casos novos foram descobertos na prefeitura de Kerouane, cerca de 750 km a sudeste da capital Conakry.

"Surgiu um novo surto em Kerouane, mas enviamos uma equipe para contê-lo", disse Aboubacar Sikidi Diakité, chefe da força-tarefa contra o Ebola da Guiné.

O mais recente surto começou após a chegada de uma pessoa infectada da vizinha Libéria, e um total de 18 pessoas estão em observação na região, disse o ministério da saúde.

Guiné registrou um total de 489 mortes e 749 casos de Ebola até 1o de setembro, e o epicentro do surto mudou para as vizinhas Libéria e Serra Leoa.

O presidente do Guiné, Alpha Conde, pediu aos profissionais de saúde para intensificarem os seus esforços para evitar novas infecções. Os profissionais de saúde foram duramente atingidos pela doença que é transmitida por contato físico, com mais de 120 mortos nos três países mais afetados.

"Mesmo para um simples (caso de) malária, você tem que se proteger antes de consultar qualquer pessoa doente até o final desta epidemia", disse Conde em uma transmissão televisiva. "Estávamos começando a ter sucesso, mas deixamos a bola cair e aqui vamos nós de novo."

A febre hemorrágica também está ganhando terreno na Nigéria, onde foram notificados 17 casos, incluindo três no centro petrolífero de Port Harcourt. A OMS alertou que o surto "tem potencial de crescer e se espalhar mais rápido do que o de Lagos", com medidas de contenção que têm sido menos eficazes.

O quinto país infectado foi Senegal, que confirmou seu primeiro caso na semana passada: um cruzou a fronteira com a Guiné e fez o seguiu pela costa até a capital Dacar.

Mais de 50 casos de Ebola também foram relatados em uma região de selva no extremo do norte da República Democrática do Congo, embora estes não estejam ligados aos casos do Oeste Africano.

Desde que o Ebola foi detectado pela primeira vez no Congo, em 1976, a OMS já informou mais de 20 focos na África e com 1.590 vítimas.

O médio Tom Kenyon, diretor dos Centros de Controle de Doenças para a Saúde Global dos EUA, disse nesta quarta-feira o surto está "fora de controle" e advertiu que a janela de oportunidade para o controle que está se fechando.

Testes de segurança em seres humanos devem começar esta semana em uma vacina da GlaxoSmithKline <Plc GSK.L> e ainda este ano outra do NewLink Genetics.

(Reportagem adicional de Toni Clarke em Washington, Daniel Flynn e Bate Felix em Dacar; Reportagem de Bate Felix e Emma Farge)