Joe Klamar/AFP Photo
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ONU e Colômbia assinam acordo de US$ 315 mi para tirar agricultores do cultivo de coca

A iniciativa faz parte do acordo de paz com as Farc e propõe alternativas aos produtores

O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2017 | 16h59

VIENA - As Nações Unidas e a Colômbia assinaram um acordo nesta sexta-feira, 3, para erradicar o negócio de cocaína no país, um marco dos esforços de paz entre o governo e as guerrilhas. O acordo prevê um investimento de US$ 315 milhões para afastar os agricultores do cultivo de coca e direcioná-los para outras culturas, como café e cacau.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), que lidera a iniciativa, disse que se trata da "maior tentativa" do mundo de afastar as comunidades rurais do negócio da droga. Segundo as Nações Unidas, a Colômbia é o maior produtor de coca do mundo. No ano passado, as superfícies dedicadas ao cultivo no país aumentaram 52%, para 146 mil hectares.

"Esse acordo histórico é uma oportunidade única para mudar o rumo do cultivo de coca e ajudar os agricultores a adotar um desenvolvimento alternativo", disse em comunicado Yury Fedotov, diretor do UNODC.

Já o alto conselheiro para pós-conflito na Colômbia, Rafael Pardo Rueda, parabenizou o passo "fundamental" para que o acordo de paz entre governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) seja efetivado.

Durante décadas, as Farc, o maior grupo rebelde do país, se financiaram com o cultivo de coca nas zonas sob seu controle. Segundo o acordo de paz, os rebeldes se comprometem a se desarmar e a incentivar os agricultores a buscar alternativas de cultivo.

A ONU, por sua vez, estabeleceu um nova missão no país para ajudar ex-guerrilheiros a voltarem à vida civil. O Estado colombiano também prometeu incentivos para que os agricultores abandonem o cultivo de coca. Porém, até agora, os avanços têm sido lentos, e alguns ex-guerrilheiros encontram dificuldades para se reinserir.

"A reeducação das áreas de cultivo de coca não é uma tarefa fácil em termos administrativos ou logísticos, muito menos porque se trata de reduzir a renda ilegal de um grupo ilegal", disse Rueda. Os produtores acusam o governo de não cumprir suas promessas, enquanto as equipes dedicadas à erradicação da cultura enfrentam o perigo das inúmeras minas que protegem os campos de coca.

O longo conflito colombiano, que além da guerrilha envolveu paramilitares, narcotraficantes e agentes estaduais, gerou quase 260 mil mortes, mais de 60 mil desaparecidos e cerca de sete milhões de pessoas foram deslocadas. /AFP

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