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ONU mostra impacto da guerra sobre crianças sírias

Agência Estado

05 Fevereiro 2014 | 11h 49

As crianças da Síria tem sido torturadas, mutiladas e abusadas sexualmente pelas forças do presidente Bashar Assad e recrutadas para combater por rebeldes que lutam para derrubar o atual governo no período de quase três anos de conflito no país, diz relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).

O documento, que destaca o tratamento dado a crianças entre o início do conflito, em março de 2011, até 15 de novembro de 2013, foi divulgado nesta semana para o Conselho de Segurança e postado no site da ONU na terça-feira.

O relatório cita o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, dizendo que as crianças sírias têm sido sujeitas a "sofrimentos indizíveis". Ele pediu que os lados envolvidos no conflito "tomem, sem demora, todas as medidas para proteger e apoiara os direitos de todas as crianças na Síria".

O conflito contra o governo de Assad começou com protestos pacíficos em 2011, mas se transformou numa sangrenta guerra civil que já matou mais de 130 mil pessoas, segundo ativistas. Milhares de sírios tiveram de deixar suas casas e procuraram abrigo em países vizinhos ou em locais mais seguros do país.

O conflito atinge duramente as crianças. A ONU disse que forças do governo têm sido responsáveis pela prisão, detenção arbitrária, maus-tratos e tortura de crianças. Crianças de até 11 anos têm sido detidas por autoridades sob suspeita de ter ligação com grupos armados.

O relatório diz que crianças sob custódia do governo têm sofrido espancamento com cabos de metal, chicotes, pedaços de madeira e cassetetes de metal, além de sofrerem choques elétricos e serem vítimas de estupro ou ameaça de estupro. Os menores também passam por simulação de execução, são queimados com cigarro, passam por privação de sono e são confinados em solitárias.

A ONU não esclareceu a metodologia empregada na pesquisa e o resumo do relatório, postado no site da ONU, não diz como os investigadores obtiveram as informações.

Acusações de violência sexual por grupos opositores também foram recebidas pela ONU, mas a organização não conseguiu investigá-las em razão da falta de acesso a áreas sob controle rebelde, diz o documento.

Enquanto as forças de Assad têm usado crianças como escudos humanos nos confrontos, o relatório diz que os rebeldes têm "recrutado e usado crianças tanto em combate quanto em atividades de apoio, assim como na condução de operações militares". Fonte: Associated Press.