REUTERS/Marco Bello
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Entidade da ONU pede que Maduro realize investigações 'transparentes' sobre mortes na Venezuela

Organização apela para que população use 'meios pacíficos para fazer suas vozes serem ouvidas'

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2017 | 04h53
Atualizado 25 Abril 2017 | 08h06

GENEBRA – A ONU pede que o governo de Caracas garanta “investigações transparentes” em relação às mortes ocorridas nos últimos dias na Venezuela, no contexto de protestos realizados em diversas cidades do país. 

“Estamos profundamente preocupados com a escalada de violência na Venezuela”, declarou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. “Pedimos que as forças de ordem atuem e operem respeitando suas obrigações”, alertou ela em referência às suspeitas de violação de direitos humanos. “A administração desses protestos precisa estar dentro de padrões internacionais”, insistiu, alertando que o uso da força precisa ser evitado.

“Pelo menos 23 mortes foram supostamente relatadas e o contexto não está claro”, disse Ravina. “Pedimos que esses incidentes sejam investigados. Mas essas investigações precisam ser transparentes”, afirmou. 

Em Genebra, a chanceler da Argentina, Susana Malcorra, informou que uma reunião de emergência será organizada nesta terça-feira, 25, em Washington, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), para tratar exclusivamente do caso da violência na Venezuela. "Estamos preocupados", disse a ministra, que preside o Mercosul. 

Para a população, o escritório da ONU também faz um apelo. “Solicitamos que usem meios pacíficos para fazer suas vozes serem ouvidas."

Por anos, o governo de Caracas tem rejeitado a entrada de missões da ONU relacionadas a apurações sobre direitos humanos. Recentemente, a ONU alertou ao governo venezuelano de Nicolás Maduro que sua iniciativa de entregar armas à população apenas faria aumentar o risco de um confronto no país.  

“Dar armas a civis implica um risco muito alto”, afirmou Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, órgão que ao longo dos anos tem tentando aproximar a oposição ao governo de Maduro, sem sucesso. “O que se necessita nesse contexto de conflito é que a tensão seja reduzida, não que seja incrementada. Quanto maior o número de armas pelas ruas, maior a possibilidade de que possam ser usadas”, disse Colville.  

Maduro anunciou a aprovação de um plano para expandir para 500 mil os membros da milícia bolivariana. Segundo ele, o grupo estará em todo o território para a “defesa do país”. “Uma arma para cada miliciano”, prometeu Maduro em um anúncio por rádio e televisão.

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