AP Photo/Tsering Topgyal
AP Photo/Tsering Topgyal

ONU pede que Mianmar suspenda operações militares contra minoria rohingya

Líder do país se pronunciará sobre a crise da minoria, mas cancelou a viagem para Nova York no fim do mês para participar da Assembleia-Geral

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 15h39

RANGUM, MIANMAR - O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, pediu nesta quarta-feira, 13, que Mianmar suspenda suas operações militares contra a minoria rohingya, que já provocaram a fuga de cerca de 400 mil pessoas para Bangladesh.

"Faço um apelo às autoridades de Mianmar para que suspendam as atividades militares e a violência, e respeitem a lei", declarou ele durante uma coletiva de imprensa.

A dirigente de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, se pronunciará sobre a crise da minoria na próxima semana com um discurso à nação. O anúncio foi feito pouco antes da reunião da ONU sobre a emergência humanitária.

O Conselho de Segurança está reunido a portas fechadas para examinar a violência no Estado de Rakhine e o consequente fluxo de refugiados rohingyas para Bangladesh. A ex-dissidente e ganhadora do prêmio Nobel da Paz está sendo duramente criticada pela comunidade internacional por sua posição ambígua sobre a situação da minoria muçulmana em Mianmar.

Pressionada para se pronunciar sobre o assunto, mas tentando manter um frágil equilíbrio em suas relações com o poderoso Exército do país, ela falará no dia 19 de setembro em uma emissora sobre a situação em Rakhine. Aung San Suu Kyi "falará de reconciliação nacional e de paz", anunciou seu porta-voz Zaw Htay.

Em sua única declaração oficial a respeito da crise, durante uma conversa telefônica na semana passada com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a dirigente denunciou  a "desinformação" sobre os rohingyas e defendeu a ação do Exército.

Nesta quarta-feira, ela cancelou a viagem para Nova York no fim de setembro para participar na Assembleia-Geral da ONU. Em 2016, Aung San Suu Kyi prometeu na tribuna da ONU respaldar os direitos da minoria muçulmana e afirmou que era "contrária com firmeza aos preconceitos e à intolerância", promovendo os direitos humanos. Ela ainda pediu à "comunidade internacional que se mostrasse compreensiva e construtiva" na questão.

Crise humanitária

As autoridades locais e as organizações não conseguem administrar o grande fluxo de refugiados, que chegam a Bangladesh esgotados, desamparados, após dias de caminhada sob a chuva que coloca suas vidas em risco.

Em um hospital do distrito bengalês de Cox's Bazar, visitado por uma equipe da agência de notícias France-Presse, uma das salas estava lotada de refugiados rohingyas feridos, a maioria por tiros, mas alguns também por explosões de minas terrestres.

Em uma carta aberta ao Conselho de Segurança, vários ganhadores do prêmio Nobel da Paz fizeram um apelo às Nações Unidas para que adotem "ações corajosas e decisivas" para resolver a crise em Rakhine. O texto é assinado, entre outros, pelo bengalês Muhamad Yunus, a paquistanesa Malala Yousafzai e o sul-africano Desmond Tutu. / AFP

Mais conteúdo sobre:
Aung San Suu Kyi Violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.