ONU reporta mais de 500 estupros no Congo e admite ser responsável

Entidade promete reforçar presença de tropas no leste do país, onde ocorre luta contra rebeldes

Associated Press

08 Setembro 2010 | 09h16

NOVA YORK - A Organização das Nações Unidas (ONU) reportou mais de 500 casos de estupro cometidos por combatentes armados no leste do Congo desde o fim de julho e admitiu nesta quarta-feira, 8, ser parcialmente responsável por não proteger os cidadãos. O número anunciado pela entidade é duas vezes maior que o anteriormente anunciado.

 

O secretário-geral adjunto da ONU para a paz, Atul Khare, disse ao Conselho de Segurança da entidade na terça que pelo menos 267 estupros ocorreram em outra área do leste do país, além dos 242 que já haviam sido registrados no vilarejo de Luvungi.

 

"Enquanto a responsabilidade primária pela proteção dos civis é do Estado, seu Exército e suas forças de segurança, claramente também falhamos. Nossas ações não foram adequadas, resultando em uma brutalidade inaceitável contra a população dos vilarejos da área. Precisamos tomar mais medidas", disse Khare.

 

As porcas pacificadoras da ONU no Congo lançaram uma operação com 750 soldados para apoiar o Exército local em uma ofensiva contra os estupradores, disse Khare. Ao menos 30 rebeldes, a maioria armados, foram detidos.

 

O funcionário da ONU também disse que as tropas passarão a fazer mais patrulhas durante a noite e farão vistorias em algumas comunidades. A entidade também procura formas de equipar os soldados com aparelhos de comunicação, como rádios e celulares.

 

O estupro é um tipo de crime que se tornou comum no Congo, principalmente onde os rebeldes empreendem guerras contra as forças da ONU e do Exército nacional, como no leste do país. As tropas não conseguem vencer os insurgentes, responsáveis por iniciar os conflitos por conta das disputas pelas reservas minerais da área.

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