ONU teme que lei antiterror prejudique os 22 milhões de refugiados

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez hoje um alerta a todos os governos do mundo: as novas leis de combate ao terrorismo que estão sendo estudadas não podem prejudicar os mais de 22 milhões de refugiados nas diferentes regiões do mundo. A ONU teme que as novas leis que estão sendo debatidas nos parlamentos de muitos países acabe criando uma situação discriminatória contra os grupos de refugiados, que seriam os primeiros atingidos por leis de imigração mais restritas. "Há uma crescente percepção pública de que refugiados são criminosos e existem tentativas de relacionar esse grupo de pessoas ao terrorismo", afirma o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). Vários governos, como o dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, têm alegado que muitos terroristas acabam entrando em seus países na condição de refugiados. Portanto, haveria uma necessidade de rever algumas leis que permitem que pessoas peçam asilo ou refúgio nos países. A ONU concorda com a preocupação dos governos, mas lembra que a proteção aos refugiados é um dever que todos devem respeitar. "Qualquer debate sobre o tema deve levar em consideração que os próprios refugiados estão fugindo da violência, incluindo o terrorismo, e não são os responsáveis por tais atos", afirma a ONU. Uma das consequências das novas leis de combate ao terrorismo poderia ser uma reavaliação dos critérios para que um indivíduo consiga asilo. "O perigo, porém, é que esses novos critérios sejam baseados em religião, etnicidade, nacionalidade ou filiação política", alerta a ONU. A organização lembra que, desde que os atentados terroristas ocorreram nos Estados Unidos, no dia 11 de setembro, vários grupos étnicos, principalmente árabes, foram alvos de violência fora de seus países de origem. "Não podemos deixar que isso continue", afirma um porta-voz da organização. Leia o especial

Agencia Estado,

23 Outubro 2001 | 17h33

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