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Operação israelense em Gaza deixa 76 mortos e 500 feridos em 3 dias

O Estado de S. Paulo

10 Julho 2014 | 09h 24

Israel afirma que desde o início da Operação Limite Protetor, as forças armadas atacaram cerca de 750 alvos

GAZA - Pelo menos 76 palestinos morreram e outros 500 ficaram feridos na Faixa de Gaza desde o início da ofensiva militar israelense - operação Limite Protetor - que, somente na madrugada desta quinta-feira, 10, atacou 108 novos alvos.

Caças-bombardeiros e embarcações de guerra das Forças Armadas israelenses continuaram pela terceira noite consecutiva com os bombardeios no território palestino, disseram testemunhas. Segundo os relatosm desde a meia-noite os ataques incluíram casas de famílias de milicianos, edifícios pertencentes ao Ministério do Interior do Hamas, veículos de militantes de facções armadas, terrenos e fazendas.

Moradores da Faixa de Gaza disseram ter escutado fortes explosões em cidades e aldeias de todo o território palestino, principalmente na Cidade de Gaza, enquanto ambulâncias e equipes de resgate se apressavam para transferir as vítimas para os hospitais.

O Exército israelense informou em comunicado que matou, no norte da Faixa de Gaza, um "terrorista do Hamas" envolvido com o disparo de foguetes contra Israel e informou sobre outro ataque contra três milicianos da Jihad Islâmica suspeitos de envolvimento na fabricação de foguetes de médio alcance.

O porta-voz do serviço do Ministério da Saúde em Gaza, Ashraf al Qedra, disse que a contagem dos mortos pelos bombardeios israelenses, em três dias de operação, subiu para 76 nas últimas horas, enquanto os feridos chegam a 500. Segundo Qedra, cerca de dois terços dos mortos e feridos são mulheres e crianças.

O funcionário acrescentou que o número de vítimas civis aumentou nas últimas 48 horas da ofensiva, pois Israel está fazendo ataques aéreos contra edifícios residenciais e grupos de pessoas no litoral.

Na noite de quarta, sete civis morreram - três mulheres e quatro crianças - em um bombardeio contra imóveis na cidade de Khan Yunes, no sul da Faixa de Gaza. O Ministério do Interior em Gaza disse em um comunicado enviado aos meios de comunicação que aproximadamente 80 imóveis foram destruídos nos últimos três dias.

Especialistas militares citados pela imprensa israelense explicaram que o aumento do número de civis mortos nos bombardeios ocorre porque, em algumas ocasiões, essas pessoas não dão atenção às advertências feitas antes dos ataques pelo Exército.

O Canal 10 da televisão israelense explicou que a inteligência militar costuma telefonar para os moradores dos imóveis que serão atingidos pelos bombardeios. Em alguns casos, as pessoas nem atendem aos telefonemas.

Nas advertências, Israel costuma dar uma margem de quatro minutos antes de atacar, além de um disparo de alerta antes do bombardeio propriamente dito, informou a emissora de televisão.

Desde a terça-feira, Israel calcula que a operação Limite Protetor atingiu cerca 750 alvos.

O braço armado do Hamas, as "Brigadas de Ezedin al-Qassam", assumiu a autoria do lançamento de mais foguetes contra Tel-Aviv e outras cidades do centro e do sul de Israel.

As sirenes voltaram a soar esta manhã em Tel-Aviv e, de acordo com o Exército israelense, um foguete foi abatido em pleno voo pelas baterias antimísseis. O aeroporto internacional Ben Gurion sofreu novamente com atrasos devido à ativação das sirenes.

Fontes militares israelenses calcularam em aproximadamente que 360 foguetes de alcances diferentes foram disparados do território palestino, dos quais 255 caíram em solo israelense e 67 foram interceptados pelo sistema antimísseis Domo de Ferro.

Por enquanto, os lançamentos de mísseis dos milicianos palestinos não provocaram mortes, mas muitos israelenses tiveram que ser atendidos pelos serviços médicos por ataques de ansiedade e pânico. /EFE