Operadores de aviões não tripulados são acusados

Um relatório divulgado pelas forças armadas dos EUA acusa os operadores de aviões não tripulados de responsabilidade por um ataque com míssil que matou 23 civis afegãos em 21 de fevereiro deste ano. A divulgação do relatório é parte do esforço do governo dos EUA para conter as críticas que vem sofrendo devido a ataques que mataram civis no Afeganistão.

AE-AP, Agência Estado

29 Maio 2010 | 16h29

Segundo o documento, o ataque de fevereiro também deixou 12 feridos, entre eles uma mulher e três crianças. Os responsáveis seriam quatro oficiais norte-americanos, dois deles descritos como "altos oficiais".

O general Stanley McChrystal, comandante das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, disse que "nossa missão mais importante aqui é proteger o povo afegão. Matar ou ferir civis inadvertidamente fere o coração e mina a confiança deles em nossa missão. Faremos o que pudermos para reconquistar aquela confiança".

No ataque de fevereiro, um avião não tripulado Predator controlado à distância por uma equipe na base aérea Creech, em Nevada (Centro-Oeste dos EUA), localizou três veículos que trafegavam em uma estrada na província afegã de Uruzgan, a cerca de 12 km de onde forças especiais norte-americanas faziam uma patrulha em busca de militantes do Taleban.

Suspeitando que os veículos levassem combatentes, os operadores do Predator passaram a informação a helicópteros dos EUA na área, que dispararam mísseis contra os veículos, matando os 23 civis.

Segundo o relatório, escrito pelo general Timothy McHale, os postos de comando na região "não deram ao comandante da força no local as evidências e análises que indicassem que os veículos não constituíam uma ameaça hostil, e o informe impreciso e pouco profissional da equipe do Predator privou o comandante da força no local de informações vitais. A informação de que o comboio era outra coisa, e não uma força de ataque, foi ignorada ou minimizada pela equipe do Predator". A câmera de vídeo do avião não tripulado mostrava que havia mulheres e crianças presentes.

De acordo com o contra-almirante Gregory Smith, da Marinha dos EUA, a equipe que controlava o Predator deveria ter informado sobre a presença de civis. "Eles não relataram a ambiguidade do que estavam vendo. Eles não estavam vendo claramente uma ameaça armada."

Segundo um relatório da ONU divulgado em janeiro deste ano, pelo menos 2.412 civis afegãos foram mortos em 2009, o que representa um crescimento de 14% em relação ao ano anterior, e as forças da Otan e do Exército do Afeganistão foram responsáveis por 25% delas. De todas essas mortes, 60% foram causadas por ataques aéreos.

Mais conteúdo sobre:
Afeganistão operadores de aviões mortes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.