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Internacional

Taiwan

Oposição é favorita em eleição taiwanesa

DPP deve superar o Kuomintang, apesar de política bem-sucedida de aproximação com a China, que melhorou a economia do país

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Angela Perez ,
O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2016 | 02h00

Taiwan realiza hoje eleições presidenciais e legislativas que podem ter profundo impacto nas relações com a China, de quem a ilha está cada vez mais dependente economicamente, apesar de ser considerada pelo governo de Pequim uma província rebelde. 

Depois de dois mandatos do Partido Kuomintang, a candidata do opositor Partido Democrático Progressista (DPP), Tsai Ing-wen, é apontada como favorita pelas pesquisas e pode ser a primeira mulher a presidir Taiwan.

Desde 2008, tem havido uma grande interação entre a China e Taiwan – para onde fugiram os nacionalistas de Chiang Kai-shek em 1949 após serem derrotados pelos comunistas. 

O atual presidente, Ma Ying-jeou, do Partido Kuomintang de Chiang Kai-shek, há oito anos, quando iniciou seu primeiro mandato, vem conduzindo uma política que assegurou à China as intenções da ilha de manter o status quo atual, preservar a paz e expandir as áreas de cooperação. As políticas de Ma trouxeram grande estabilidade às relações no Estreito de Taiwan e fortaleceram os laços econômicos.

Mas mesmo a satisfação da população com os resultados econômicos obtidos por Ma não foi suficiente para garantir a aprovação do candidato do Kuomintang, Eric Chu, atual prefeito da Nova Taipé. Segundo pesquisas divulgadas em novembro, 46% dos eleitores taiwaneses disseram que votarão em Tsai e 20% em Chu. O candidato independente Soong Chu-yu tem 10% das intenções de voto.

“As expectativas de mais bem-estar social e uma melhor distribuição de renda parecem ser os motivos da vantagem do DPP nas pesquisas”, disse ao Estado Chia Hung-tsai, diretor do Centro de Estudos Eleitorais de Chengchi. 

Eric Chu manifestou sua intenção de, assim como o presidente Ma, aceitar o chamado “consenso de 1992”, a fórmula pela qual os dois lados se comprometem com o princípio de “uma China”, mas deixa aberta a possibilidade de que cada um tenha sua própria interpretação de comprometimento.

A candidata do DPP, por sua vez, tem manifestado cautela e não deu muitos detalhes de sua posição, dizendo apenas durante os comícios que buscará a estabilidade e dialogará muito com a China. 

Para o professor Steve Tsang, do Instituto de Política da China da Universidade de Nottingham, Grã-Bretanha, uma mudança de presidente em Taiwan necessariamente não representa uma mudança de política com relação à China. 

“Assim como o presidente Ma (do Kuomintang) não buscou uma reunificação com a China, Tsai também não deve tentar obter a independência formal da ilha”, disse o professor Tsang ao Estado“O novo presidente agirá de acordo com os desejos da opinião pública, que é favorável a um estável e benéfico relacionamento com a China. Pequim pode reagir negativamente a uma ampla vitória do DPP (presidencial e legislativa), mas o governo chinês provavelmente vai observar o que Tsai pretende fazer antes de decidir como lidar com ela.” 

Os negócios entre Taiwan e a China aumentaram tanto desde 2008 que hoje representam 40,8% das exportações taiwanesas. Em razão dessa integração e crescente dependência qualquer desajuste na economia chinesa afeta as finanças da ilha. 

Em 2014, a economia de Taiwan cresceu 3,7%, mas em 2015 cresceu apenas 0,59% e está lutando para não entrar em uma recessão técnica. Berton B.C. Chiu, conselheiro do Ministério de Economia da Taipé, explica que as exportações taiwanesas caíram 10% em 2015, em parte em razão da contração na China.

De acordo com Ben Ren Lee, funcionário do departamento que supervisiona os negócios no Estreito de Taiwan, atualmente, mais de 40 mil empresas taiwanesas têm investimentos na China, em um total de US$ 150 bilhões. Em contraponto, as empresa chinesas em território taiwanês não passam de 700, seus investimentos somam US$ 1,3 bilhão.

As empresas taiwanesas aproveitam a mão de obra barata na China para produzir peças da área de informática que depois são usadas nos equipamentos montados na ilha.

Diante da depressão econômica na China, o governo de Taiwan orientou os empresários da ilha a buscar novos mercados no Oriente Médio e na Europa, informou Connie Chang, diretora de Planejamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento. Ela também explicou que, apesar de Taiwan ter várias empresas de alta tecnologia, necessita ampliar sua vantagem em “investigação e desenvolvimento de qualidade”.

Na véspera das eleições, a China, que até então havia acompanhado os comícios sem se pronunciar, advertiu ontem que as mudanças que ocorrerem após a votação não trarão a independência do território. “Queremos destacar que sempre defenderemos a política de ‘uma só China’ e nos oporemos à independência de Taiwan. Nossa posição será sempre a mesma”, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei.

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