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Oposição exibe imagens de invasão a sede de partido por militares chavistas

O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2014 | 21h 21

Vídeo divulgado na web pelo partido do opositor Leopoldo López mostra agentes com capacetes entrando em sede com pistolas apontadas para militantes

CARACAS - Na véspera da marcha que o opositor venezuelano Leopoldo López promete liderar antes de se entregar às autoridades, seu partido, o Vontade Popular, exibiu na segunda-feira, 17, imagens de uma invasão por agentes militares em busca do coordenador político da legenda, Carlos Vecchio. López teve a prisão decretada, acusado pela morte de três manifestantes durante protesto antigoverno que ele organizou na quarta-feira, em Caracas.

A ação chavista foi registrada em vídeo divulgado pelo partido. As imagens mostram homens uniformizados e com capacetes apontando suas pistolas para os correligionários, que são obrigados a abrir a porta de vidro da recepção sob a mira das armas de fogo. Pouco depois, um dos agentes tenta arrombar uma porta a pontapés. Após 40 segundos, a porta é derrubada e os agentes entram. Depois, pedem documentos aos cinco militantes do Vontade Popular que aparecem no vídeo.

De acordo com o prefeito de El Hatillo, David Smolanski, que pertence ao partido opositor, a ação ocorreu às 15h20 e foi posta em prática pela Direção de Contrainteligência Militar, na sede do partido em Altamira - no distrito caraquenho de Chacao, reduto eleitoral de López, que já administrou a região. Segundo Smolanski, os agentes buscavam Carlos Vecchio, coordenador político do Vontade Popular.

Pelo Twitter, López confirmou a manifestação de hoje. Sua intenção é liderar uma passeata até a sede do Ministério do Interior e, em seguida, entregar-se à Justiça - que decretou sua prisão por terrorismo e homicídio. Também pelo Twitter, o governador do Estado de Carabobo, Francisco Ameliach, chavista do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), convocou a milícia bolivariana Unidades de Batalha Bolívar-Chávez "a preparar-se para um contra-ataque fulminante". "Diosdado (Cabello, presidente da Assembleia Nacional) dará a ordem."

O prefeito do distrito de Libertador, em Caracas, afirmou que a marcha de hoje não está autorizada. "Não nos pediram nenhuma permissão. Portanto, não haverá mobilização da direita", disse Jorge Rodríguez.

"Não precisamos de permissões. Direitos não se negociam", respondeu López no microblog. O secretário-geral do partido democrata-cristão Copei, Jesús Barrios, afirmou que seus correligionários participarão da manifestação de hoje. Já o líder opositor Henrique Capriles, que não apoia a mobilização, declarou que a violência é "um beco sem saída".

Cerca de 200 estudantes protestaram em Caracas, contra o "blecaute de informação" no país. Em Maracaibo também houve manifestação envolvendo cerca de cem estudantes.

EUA

O governo venezuelano identificou os três diplomatas dos EUA acusados de apoiar os recentes protestos qualificados por Maduro como uma "tentativa de golpe". Caracas estabeleceu um prazo para que eles deixem o país sem sofrer sanções. Washington qualificou as acusações de que financia os protestos como "falsas e sem fundamento". Os subsecretários Breann McCusker, Jeffrey Elsen e Kristopher Clark têm até amanhã para sair da Venezuela. / EFE