THOMAS COEX/AFP
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Oposição na Guatemala teme boicote de árabes após reconhecimento de Jerusalém

País centro-americano foi o primeiro a seguir decisão dos EUA de tirar embaixada de Tel-Aviv

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 19h48

CIDADE DA GUATEMALA - A decisão do presidente da Guatemala, Jimmy Morales, de mudar a embaixada do país em Israel para Jerusalém, consolidando seu apoio aos EUA, não encontrou consenso internamente. O ex-vice-presidente guatemalteco Eduardo Stein (2004-2008) advertiu que a decisão teria consequências econômicas. Stein teme que a medida atinja cerca de 45 mil pequenos produtores de cardamomo, uma planta da família do gengibre. 

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O país centro-americano é o primeiro exportador do condimento do mundo e tem como principais compradores as nações árabes. Stein lembrou que o ex-presidente Ramiro de León Carpio (1993-1996) tomou a mesma decisão sobre Jerusalém, mas voltou atrás quando países árabes fecharam as portas para o mercado guatemalteco.

Morales justificou a decisão afirmando que o país sempre foi “pró-Israel”. A Guatemala foi o primeiro país a seguir a decisão do presidente americano, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital israelense e anunciou a mudança da embaixada americana. 

Na segunda-feira, a chancelaria guatemalteca informou o início dos procedimentos para a mudança. O deslocamento só deve ocorrer após a mudança da embaixada americana. Segundo Israel, há 10 países em tratativas para mudar a sede diplomática para Jerusalém. O Ministério das Relações Exteriores palestino classificou a ação como “vergonhosa” e “sem valor legal”. 

Ao lado de Honduras, Togo, Micronésia, Nauru, Palau e as Ilhas Marshall, a Guatemala se alinhou a Washington e Israel para rejeitar a condenação da Assembleia-Geral da ONU ao anúncio de Trump – que desencadeou diversos protestos na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em países árabes. A Guatemala participou da criação do Estado de Israel em 1947. / AFP 

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