AFP PHOTO / Federico PARRA
AFP PHOTO / Federico PARRA

Oposição ocupa ruas contra Maduro na Venezuela

Após 21 mortes em protestos e saques, MUD muda de tática em manifestações

O Estado de S.Paulo

24 Abril 2017 | 18h10

CARACAS - Milhares de venezuelanos voltaram às ruas do país nesta segunda-feira, 24,  para protestar contra o presidente Nicolás Maduro. Desta vez, os opositores bloquearam ruas e estradas ao permanecerem sentados nas vias. De branco e com bandeiras nacionais, ocupavam a estratégica autopista Francisco Fajardo, no leste de Caracas, e outras vias nas capitais dos estados de Zulia, Mérida, Lara, Anzoátegui e Bolívar.

Em quase um mês de protestos, 21 pessoas morreram em virtude da repressão e saques. Com o aumento da violência e dos confrontos entre manifestantes e a polícia, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) mudou de tática e passou a priorizar protestos em silêncio e não violentos. 

A oposição exige a realização das eleições regionais suspensas no ano passado e respeito à autonomia do Parlamento, único poder público que controla. A MUD garante que seguirá nas ruas até conseguir “restituir o marco constitucional”.

“Os protestos pacíficos vão continuar até que o senhor Maduro respeite a Constituição e encerre seu autogolpe. Se não houver resposta da corrupta cúpula madurista, ao final do dia de hoje anunciaremos as próximas ações”, alertou o líder opositor Henrique Capriles.

“A Venezuela se ergue contra a ditadura. Se não permitirem que nos dirijamos às instituições, fazermos esta ação para aumentar a pressão. Não vamos nos render”, disse o vice-presidente do Parlamento, Freddy Guevara.

Lilian Tintori, esposa do opositor Leopoldo López, participou de uma vigília diante da prisão de Ramo Verde, onde seu marido está detido, como protesto. Segundo ela, autoridades não permitem há um mês que ela o visite.

As manifestações começaram há três semanas, depois de o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) anular as competências legislativas da Assembleia Nacional (AN) e assumi-las para si. A medida, que dias depois foi revogada, levou a oposição a denunciar um “autogolpe”. Desde a posse da AN, controlada pela oposição, em janeiro do ano passado, a Justiça, que é controlada pelo chavismo, anula as leis aprovadas no Parlamento. 

Promessa. Maduro disse no domingo que deseja eleições o quanto antes. “Eleições, sim, quero eleições já. É o que eu digo, como chefe de Estado, como chefe de governo”, disse o presidente em seu programa dominical, ao se referir às eleições regionais.

Há duas semanas, Maduro já havia dito estar ansioso pela convocação das eleições de governadores, que deveriam ter sido realizadas em dezembro, e de prefeitos, previstas para este ano.

“Com o fracasso que tiveram na Assembleia Nacional, estou certo de que o nosso povo vai entregar a conta em qualquer eleição que vier, e vamos ter uma nova e boa vitória”, insistiu o presidente.

Segundo as pesquisas mais recentes, Maduro conta com uma rejeição de cerca de 70%. Depois de suspender um processo para revogar o mandato do governo atual em um referendo, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) adiou as eleições regionais para iniciar um processo de legalização dos partidos que não haviam participado da última disputa nas urnas. /AFP

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