REUTERS/Marco Bello
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Oposição diz que decisão do Supremo sobre Lei da Anistia foi ordenada por Maduro

Ex-candidato à presidência Henrique Capriles afirmou que grande parte da população sentiu ‘vergonha’ do Tribunal Supremo de Justiça, e que anistia depende do referendo para tirar o presidente do poder

O Estado de S. Paulo

12 Abril 2016 | 08h59

CARACAS - Vários líderes da oposição venezuelana afirmaram na segunda-feira que a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país, que declarou inconstitucional a Lei da Anistia para os opositores presos, foi uma ordem do presidente Nicolás Maduro.

"Estava avisada a declaração de inconstitucionalidade da Lei da Anistia pelo escritório inconstitucional tal como tinha ordenado Maduro", afirmou no Twitter o presidente do Parlamento da Venezuela, o opositor Henry Ramos Allup, pouco depois da divulgação da decisão.

Ele havia afirmado anteriormente que a lei seria rejeitada pela instância máxima da Justiça do país, órgão que acusou de funcionar como um "escritório" a serviço do governo.

O deputado Freddy Guevara, que comanda o Vontade Popular - partido fundado pelo preso Leopoldo López -, afirmou que o TSJ é controlado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), legenda de Maduro, e que a decisão reafirma a necessidade de mudar o governo.

"Isto que ocorreu hoje (segunda-feira) tem que reafirmar a convicção dos venezuelanos de que temos que acelerar a saída deste governo o mais rápido possível", disse Guevara à Unión Radio.

Por sua vez, o ex-candidato à presidência Henrique Capriles afirmou que, após a decisão, a grande maioria da população sentiu "vergonha" do TSJ. Por isso, destacou que, mais do que nunca, a anistia depende do referendo para tirar Maduro do poder.

O TSJ declarou inconstitucional a lei "que iria exonerar dezenas de opositores presos, e outros no exílio, acusados de crimes comuns, mas que a oposição classifica como presos políticos ou perseguidos".

"A Lei da Anistia e Reconciliação Nacional em nada conduz ou colabora com uma reconciliação nacional, mas sim com uma impunidade escandalosa em detrimento da moral pública", disse o TSJ na decisão. /EFE

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