AP Photo/Alejandro Cegarra
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Oposição venezuelana diz que só retomará negociações se governo cumprir exigências

Mesa da Unidade Democrática diz que enviará uma delegação para reunir-se com o presidente dominicano, Danilo Medina, mas isso não significa a retomada das conversas com Caracas; coalizão opositora apresenta lista de demandas para negociar

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 09h23

CARACAS - A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que agrupa os partidos da oposição venezuelana, negou na terça-feira que vá abrir nesta quarta-feira, 13, uma nova negociação com o governo, depois que o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, anunciou que o diálogo será retomado nesta na República Dominicana.

"A Mesa da Unidade reitera que não há um reinício do diálogo e informa à Venezuela e ao mundo quais são as suas condições para uma negociação séria", disse a aliança opositora em comunicado no qual afirma também que enviará uma delegação para reunir-se com o presidente dominicano, Danilo Medina.

O governo de Medina e o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero pediram ao governo e à oposição venezuelana um "diálogo urgente", e disseram estar convencidos de que existe "uma oportunidade para um processo de encontro, reconhecimento mútuo e reconciliação".

Segundo a oposição, "o convite do presidente Danilo Medina não representa o início de um diálogo formal com o governo", para o que a MUD exige "ações imediatas que demonstrem verdadeira disposição a resolver os problemas nacionais e não para ganhar tempo".

Entre as exigências da MUD para uma negociação está a apresentação de um cronograma eleitoral que inclua uma data firme para as eleições presidenciais previstas para 2018, além da "libertação de presos políticos, a suspensão das inabilitações a dirigentes opositores e o fim da perseguição".

A oposição exige também "respeito à independência de poderes do Estado" e "o reconhecimento pleno das competências constitucionais da Assembleia Nacional (Parlamento)" - controlada pela oposição, que foi despojada das suas atribuições pelo Tribunal Supremo de Justiça e pela Assembleia Constituinte instaurada pelo chavismo.

O ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, foi o primeiro a anunciar na terça a reabertura de um "diálogo" entre governo e oposição venezuelanos a partir desta quarta-feira na República Dominicana. Le Drian fez esta revelação ao final de uma reunião com o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza.

Por sua parte, o presidente Nicolás Maduro disse aceitar o convite de Zapatero e designou o prefeito do distrito de Libertador, Jorge Rodríguez, como representante do seu governo. / EFE

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