EFE/PRENSA MIRAFLORES
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Oposição venezuelana planeja referendo informal sobre Constituinte de Maduro

Coalizão pretende contar com o apoio de dissidentes chavistas contrários ao plano de Maduro, para a votação

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 12h19

CARACAS - A coalizão opositora  Mesa de Unidade Democrática (MUD) planeja um referendo informal neste mês sobre a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro na Venezuela. A votação, segundo fontes da MUD, ocorrerá no dia 16. A coalizão pretende contar com o apoio de dissidentes chavistas contrários ao plano de Maduro, para a votação. 

Maduro convocou a Constituinte durante os protestos de rua contra seu governo, que já deixaram 85 mortos no país desde abril. A Constituinte, que foi boicotada pela oposição, terá plenos poderes enquanto estiver em vigor. Tanto sua convocação, como o esquema de votação, desenhado para favorecer o chavismo, foi chamado de golpe pela MUD. 

Mesmo dentro do chavismo, a iniciativa é controvertida. A procuradora-geral Luisa Ortega, militares da reserva, ex-ministros chavistas e outros membros de baixo escalão do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) contestam a iniciativa e a descrevem como uma afronta ao legado de Hugo Chávez, que aprovou via referendo a atual Carta, em 1999. 

A Constituinte é defendida pela cúpula chavista, especialmente pela linha-dura, capitaneada pelo deputado Diosdado Cabello e o vice-presidente Tareck ElAissami, que consideram Ortega e os outros dissidentes "traidores e golpistas".

Salário. Em meio à crise econômica e política que devasta o país, Maduro anunciou no domingo um aumento de 50% no salário mínimo, que agora será de 97,5 mil bolívares (cerca de R$ 122 na taxa oficial mais alta e R$40 segundo a cotação no mercado negro), o terceiro aumento este ano.

Em um ato com estudantes em Caracas, o presidente também aumentou um vale alimentação que complementa o salário, que agora será de 153 mil bolívares, cerca R$ 191 na taxa oficial mais alta e R$63 no mercado paralelo. Com isso, o venezuelano terá uma renda mínima de R$ 313 pelo câmbio oficial e R$ 103 no paralelo, que rege a maioria dos preços no país. 

Este é o terceiro aumento do salário mínimo este ano: em 8 de janeiro, subiu 50%, e em 30 de abril 60%, o que põe em evidência a alta inflação no país, que este ano poderia chegar a 720%, segundo o FMI. / REUTERS e AFP

 

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