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EFE/Bahare Khodabande

Oposição volta às ruas do Haiti em meio à crise eleitoral

Na primeira manifestação pacífica no país desde que o opositor Jude Celestin desistiu de disputar o segundo turno, haitianos pediram renúncia do presidente e do Conselho Eleitoral Provisório

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O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2016 | 15h11

PORTO PRÍNCIPE - A oposição voltou às ruas do Haiti para pedir a renúncia do presidente do país, Michel Martelly, e anunciou no domingo, dia no qual deveria ser realizado o segundo turno das eleições presidenciais, que manterá as manifestações até que o atual líder deixe o poder.

Milhares de haitianos, que também pediam a renúncia dos membros do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), se reuniram no centro de Porto Príncipe e percorreram as principais ruas da capital do país de maneira pacífica.

O protesto foi acompanhado por dezenas de agentes da Polícia Nacional Haitiana, fato que provocou violentos enfrentamentos nas manifestações anteriores.

Alguns levavam cartazes com a imagem do ex-presidente do Haiti Jean Bertrand Aristide, assim como do candidato de oposição, Jude Celestin, que se negou a participar do segundo turno das eleições presidenciais.

Os manifestantes pediam a saída de Martelly e a instalação de um governo de transição. Eles exigem a renúncia do presidente, que seria substituído por um regime responsável por organizar novas eleições em um prazo máximo de 90 dias.

Por outro lado, no bairro de Petionville, no sudeste de Porto Príncipe, alguns simpatizantes do governo protestavam a favor da conclusão do atual processo eleitoral.

"Nós estamos preparados para as eleições, não queremos mais reviravoltas. Que as eleições prossigam, para que o povo vote e eleja seu presidente", disse um dos manifestantes à imprensa local, exibindo cartazes do candidato governista Jovenel Moise.

Moise foi o mais votado no primeiro turno realizado em outubro, pleito considerado como "fraudulento" pela oposição, que se nega a reconhecer os resultados.

Uma comissão independente criada por Martelly para investigar as eleições também afirmou que o processo foi "infestado de sérias irregularidades". O grupo recomendou a adoção de várias medidas, como, por exemplo, a elaboração de uma nova lista de eleitores.

O segundo turno, inicialmente programado para ocorrer no dia 27 de dezembro, foi suspenso indefinidamente pelo CEP na última sexta-feira, "por razões de segurança". O órgão eleitoral está praticamente desmantelado, já que apenas três de seus nove membros continuam no cargo. Cinco renunciaram e um foi suspenso acusado de corrupção.

A manifestação de domingo foi uma das primeiras pacíficas no Haiti, após vários dias consecutivos de violência. Várias seções eleitorais foram incendiadas, ruas e estradas bloqueadas. Houve até mesmo a suspensão de voos internacionais.

Os Estados Unidos, por meio do porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Mark Toner, pediram que o governo do Haiti e todos os atores políticos do país que criticam os atos de violência ocorridos recentemente dialoguem para concluir de maneira pacífica o processo eleitoral.

Setores da oposição do Haiti criticaram o que consideraram como uma "ingerência aberta" do governo americano na política do país, destacando que Washington está a favor do governo.

Além de escolher o sucessor de Martelly, cujo mandato termina em 7 de fevereiro, os haitianos deverão votar em seis novos senadores e 25 deputados para completar o parlamento do país. / EFE

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