EFE/EPA/MIRAFLORES PALACE PRESS OFFICE
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Oposição a Maduro se diz otimista após reunião na República Dominicana

Em nota, o anfitrião das negociações, o presidente dominicano, Danilo Medina, ressaltou a “firme vontade” de ambos os lados de encontrar pontos em comum

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2017 | 16h31

SANTO DOMINGO - Representantes da oposição venezuelana demonstraram otimismo ontem após a última rodada de negociações com o chavismo em Santo Domingo, na República Dominicana, para pôr fim à crise política e humanitária que atinge o país. Uma nova reunião foi marcada para o dia 15 e aliados do presidente Nicolás Maduro reportaram “avanços significativos” no encontro. 

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Em nota, o anfitrião das negociações, o presidente dominicano, Danilo Medina, ressaltou a “firme vontade” de ambos os lados de encontrar pontos em comum. Participam das negociações representantes de Chile, México, Bolívia, Nicarágua e São Vicente e Granadinas, bem como pelo ex-chefe de governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Julio Borges, presidente do Parlamento e chefe da delegação opositora, disse acreditar que, na próxima reunião, seja possível conseguir um caminho claro para que cada venezuelano seja o que decida o futuro em eleições livres, claras, transparentes, com garantias.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) considera prioritária a criação de canal humanitário para a entrada de alimentos básicos e remédios, em severa escassez, e criar condições claras para as eleições presidenciais de 2018.

Do lado chavista, o otimismo é maior. “Estamos muito perto de um acordo”, afirmou o principal negociador do chavismo, Jorge Rodríguez, sem citar os pontos em que houve consenso. Rodríguez, no entanto, voltou a acusar a oposição de tentar sabotar a economia e as finanças venezuelanas, auxiliada pelos Estados Unidos.

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Já em Caracas, o ministro da Saúde, Luis López, descartou ontem a possibilidade de canais para a entrada de medicamentos. “O povo está sendo atendido por Nicolás Maduro”, afirmou.

Francisco Valencia, presidente da ONG venezuelana de direitos humanos Codevida, pediu em Santo Domingo uma solução imediata para o desabastecimento de remédios, que, segundo ele, é de 95%. De acordo com a Codevida, 4 milhões de venezuelanos portadores de doenças crônicas são afetados.

Colette Capriles, membro de uma equipe de assessores da MUD para a negociação que inclui empresários, sindicalistas e especialistas em matéria econômica e social, disse que "se chegou a um marco" de "propostas com aval internacional que cada parte deve discutir internamente .

As partes voltam à mesa após aproximações frustradas entre 2014 e 2017 por acusações mútuas de descumprimentos. Os contatos acontecem no momento em que Maduro tenta refinanciar a dívida externa, estimada em US$ 150 bilhões de dólares, para o que requer o aval do Legislativo, de maioria opositora. /AFP

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