1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Opositor colombiano alega razão de saúde e encerra campanha

Denise Chrispim Marin - Enviada Especial / Bogotá

11 Junho 2014 | 23h 41

Óscar Iván Zuluaga afirma ter sido diagnosticado com laringite e suspende atividades pelo menos até o sábado, véspera do segundo turno da eleição presidencial

Leonardo Muñoz/EFE
Zuluaga (E) e Santos (D) participaram de debate na terça-feira, 10

BOGOTÁ - Às vésperas das eleições na Colômbia, o candidato Óscar Iván Zuluaga, lançado e apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, alegou na quarta-feira, 11, razões de saúde e cancelou todos os seus compromissos de campanha. Zuluaga deixou de apresentar-se nesta quarta-feira em dois debates com seu rival, o presidente Juan Manuel Santos.

Por seu lado, a campanha de Santos teve novo alento com o anúncio da inclusão da guerrilha ELN (Exército de Libertação Nacional) às negociações de paz de seu governo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Zuluaga foi diagnosticado com laringite. Sua mulher, Martha Martínez, deu a notícia às 5h30 para a Rádio Caracol, onde o candidato enfrentaria Santos em um debate às 7h. Outros dois confrontos foram desmarcados - um na rede de televisão RCN, previsto para a noite desta quarta, e outro na emissora CNI, na quinta-feira, 12. Segundo sua assessoria, um médico recomendou ao candidato repouso absoluto até sábado, véspera da eleição e dia da partida de estreia da Colômbia na Copa do Mundo, contra a Grécia. 

César Alexander Corredor, assessor de Zuluaga, afirmou não haver riscos de o candidato perder votos porque os eleitores “já conhecem suas propostas”, e as equipes de campanha percorrem o país com maior empenho. Santos, porém, continuou sua programação e teve a vantagem de expor suas propostas na entrevista à Radio Caracol que tomou o lugar do debate. “Não contemplo a possibilidade de perder a eleição”, afirmou, em tom assertivo.

Os entrevistadores concentraram suas perguntas no tema que faz a diferença entre os candidatos e divide o eleitorado: como tratar as Farc e o ELN. Santos fora candidato do ex-presidente Álvaro Uribe em 2010. Uma vez eleito, se distanciou do ideal ultraconservador de seu padrinho. 

Zuluaga defende a interrupção do processo de negociação com as Farc, retomado em janeiro por Santos, para averiguar a situação presente, e exige a punição dos líderes das guerrilhas. Santos caminha em outra direção: a de obter a deposição de armas e permitir a reinserção social e política dos combatentes, incluindo seus chefes. Nesta última semana de campanha, Santos acentuou seu compromisso com as conversas de paz e, de imediato, anunciou duas pequenas vitórias. “As pessoas devem ter todos os elementos para tomar a decisão mais conveniente (na eleição)”, alegou ao ser questionado sobre a motivação eleitoreira dos anúncios. No domingo, seu governo extraiu das Farc o reconhecimento de que fez vítimas durante o conflito. Na terça-feira, anunciou o ingresso do ELN nas negociações. “O conflito é um só, e o acordo (de paz) tem de ser um só. Não pode haver vítimas de um (Farc) tratadas de uma forma, e vítimas do outro grupo (ELN) tratadas de outra maneira”, afirmou. “Mais cedo ou mais tarde, o ELN teria de participar da negociação.”

Patrícia Muñoz, cientista política da Universidade Javeriana, explicou que a doença de Zuluaga será associada naturalmente ao fato de ele não ter se saído tão bem nos debates anteriores com Santos. “A diferença é muito pequena entre os candidatos. Como foi muito golpeado por Santos, sua ausência de novos debates seria uma forma de evitar erros”, afirmou. “Estamos em uma campanha eleitoral atípica, com muita agressividade entre os candidatos e publicidade negativa”, completou.