Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Opositoras argentinas denunciam espionagem durante governo kirchnerista

Na lista de espionados estariam políticos, juízes, promotores, jornalistas, artistas e outros agentes de inteligência

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 07h49

BUENOS AIRES - As deputadas opositoras argentinas Laura Alonso e Patricia Bullrich formalizaram na noite de terça-feira, a cinco dias da eleição presidencial, uma denúncia de espionagem contra políticos, juízes, promotores, jornalistas, artistas e outros agentes de inteligência.

Entre os nomes que aparecem na lista estão os de atuais ou ex-integrantes da Corte Suprema, como Carlos Fayt, Ricardo Lorenzetti, Elena Highton de Nolasco e Juan Carlos Maqueda. Estão elencados também os promotores Germán Moldes, Guillermo Marijuán, Carlos Stornelli e Gerardo Pollicita, envolvidos em investigações contrárias do governo. Dezenas de jornalistas mencionados na lista pertencem a meios críticos ao kirchnerismo. 

Segundo as duas integrantes da coalizão Cambiemos, do candidato conservador à presidência Mauricio Macri, as mais de 100 vítimas foram alvo de agentes da antiga Secretaria de Inteligência do Estado (Side), substituída esse ano por uma agência, por ordem da presidente Cristina Kirchner.

De acordo com a acusação, os espiões obtiveram informações infiltrando-se em programas de celular, como o Whatsapp, e-mails, telefones e computadores. Não há indícios da data em que a espionagem teria ocorrido. Conforme as parlamentares, elas receberam uma relação com nomes completos, números de documentos e data de nascimento dos vigiados. A veracidade do documento será alvo de investigação. 

Ainda há na relação ex-espiões que comandaram a Side ou tiveram altos cargos, como Jaime Stiuso, ligado à investigação do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994, que matou 85 pessoas. Integrantes do governo relacionam Stiuso à morte do promotor Alberto Nisman, em 18 de de janeiro. Ele foi encontrado com um tiro na cabeça em seu apartamento no bairro de Puerto Madero. A investigação ainda não concluiu se houve homicídio ou suicídio.

Em dezembro, Cristina destituiu a cúpula da antiga Side, aposentando compulsoriamente parte dos dirigentes, entre eles, Stiuso. Ele trabalhava com Nisman na investigação do atentado contra a Amia. Em dezembro, Nisman finalizou uma denúncia contra a presidente, baseada em escutas feitas por meio da Side e apresentada quatro dias antes de sua morte.

De acordo com Nisman, essas gravações provavam que Cristina tinha negociado com o Irã um pacto para proteger os iranianos condenados na Argentina pelo atentado, em troca de vantagens comerciais para o país. Os iranianos, então funcionários da cúpula do governo, seriam ouvidos em Teerã em uma Comissão da Verdade. A Justiça argentina arquivou em maio a denúncia contra Cristina, sob argumento de que o acordo que permitiria os depoimentos nunca foi aprovado pelos Parlamentos.

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