J Scott Applewhite/AP
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Orçamento aprovado pelo Congresso dos EUA eleva déficit a US$ 1,2 trilhão

Parlamentares democratas e republicanos votam projeto que impede nova paralisação do governo americano e garante aumento de US$ 400 bilhões no gasto público federal, o maior desde a crise financeira de 2008

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2018 | 21h51

Depois de se opor de maneira intransigente ao aumento de despesas durante o governo Barack Obama, parlamentares republicanos garantiram na sexta-feira, dia 9, a aprovação da maior expansão de gastos públicos federais nos EUA desde o pacote de estímulo usado para tirar o país do fosso da crise financeira global de 2008. A diferença é que agora há pleno emprego e a economia corre o risco de ficar superaquecida em razão do excesso de recursos que receberá.

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Aprovado às 5h30 (8h30 em Brasília) de sexta-feira, dia 09, o projeto colocou fim a uma breve paralisação do governo durante a madrugada, que não afetou o funcionamento da administração na sexta-feira, dia9. O acordo fechado por republicanos e democratas aumenta os gastos públicos em cerca de US$ 400 bilhões pelos próximos dois anos. O novo orçamento e o corte de impostos de US$ 1,5 trilhão aprovado em dezembro deverão elevar o déficit fiscal a US$ 1,2 trilhão em 2019, quase três vezes o valor do rombo registrado em 2015.

A injeção de recursos na economia e o aumento do desequilíbrio fiscal foram alguns dos fatores que provocaram turbulência no mercado acionário nesta semana. Investidores temem alta na inflação que force o banco central a subir os juros de maneira mais rápida que a esperada. 

Para os republicanos, a principal medida é o aumento de gastos militares em US$ 165 bilhões, cerca de 10% acima do patamar anterior. Os democratas apoiaram a proposta após obter recursos para programas domésticos, entre eles assistência médica infantil.

A expectativa dos líderes dos dois partidos de ter uma votação tranquila no Senado foi frustrada pela atuação do senador Rand Paul, que acusou seus colegas republicanos de hipocrisia e irresponsabilidade. “Eu me candidatei porque era muito crítico dos déficits de US$ 1 trilhão de Obama. Agora nós temos republicanos de mãos dadas com democratas nos oferecendo déficits de US$ 1 trilhão”, disse no plenário.

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Seus críticos lembraram que Paul votou a favor do megacorte de impostos, que terá impacto negativo ainda maior sobre o déficit. A imagem de que o partido governante é o campeão da austeridade fiscal também foi questionada por analistas.

“Republicanos são a favor do aumento do déficit quando há um presidente republicano na Casa Branca”, disse o cientista político David Karol, da Universidade de Maryland. Segundo ele, a elevação dos gastos militares e o corte de impostos também aumentaram o rombo nas contas públicas durante os governos de Ronald Reagan e George W. Bush.

Com Obama, o buraco chegou a US$ 1,4 trilhão em 2009, em razão do pacote de estímulo destinado a tirar o país da maior recessão em 70 anos. Desde então, o valor caiu, até chegar a US$ 439 bilhões em 2015, antes de começar a crescer de novo. No último ano do governo Obama, a cifra foi negativa em US$ 666 bilhões.

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“Sempre que os republicanos têm controle da Casa Branca e do Congresso, eles não ligam para o déficit”, afirmou o cientista político David Cohen, professor da Universidade de Akron. Mas ele observou que o assunto provoca divisões internas dentro do partido, que ficaram evidentes na votação de sexta-feira, dia 9. Na Câmara dos Deputados, 67 republicanos se opuseram à proposta, que só foi aprovada porque recebeu o “sim” de 73 democratas.

A maioria dos deputados de oposição rejeitou apoiar a medida por ela não incluir uma solução para o Daca, programa que protege jovens imigrantes de deportação que será extinto no dia 5 de março. O Congresso e a Casa Branca tentarão na próxima semana chegar a um acordo sobre o assunto.

 

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