Kevin Lamarcque/Reuters
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Trump anuncia plano para aumentar orçamento militar em US$ 54 bilhões

Presidente dos EUA lança proposta para o ano fiscal 2018, mas depende de aprovação do Congresso; salto no gasto seria o maior desde o 11 de Setembro

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2017 | 13h25
Atualizado 27 Fevereiro 2017 | 21h05

WASHINGTON - O presidente Donald Trump pretende aumentar os gastos militares de defesa dos EUA em US$ 54 bilhões, no que seria o maior salto no orçamento de defesa desde o período posterior aos atentados do 11 de Setembro. A expansão seria paga pelo corte de recursos em outras áreas, entre as quais o Departamento de Estado, que poderia sofrer redução de até 30% em seu orçamento, especialmente nos programas voltados à assistência internacional. 

O anúncio foi feito no mesmo dia em que o Pentágono apresentou à Casa Branca um plano preliminar para derrotar o Estado Islâmico no prazo de um ano. O porta-voz do Pentágono, capitão Jeff Davis, disse que a proposta abrange o combate ao grupo extremista não apenas no Iraque e na Síria. A primeira reunião de análise do plano estava prevista para o fim da tarde desta segunda-feira, 27. Se aprovada, a expansão representará um salto de 10% nos gastos militares, ampliando os investimentos para US$ 603 bilhões. Em 2002, após os ataques da Al-Qaeda, a alta foi de US$ 51 bilhões. 

Os EUA têm o maior gasto em defesa do mundo, que supera a soma dos investimentos realizados pelos oito países que aparecem em seguida no ranking dos maiores orçamentos militares. A China, que ocupa o segundo lugar, destina à sua defesa o equivalente a 36% dos gastos americanos.

A proposta de Trump deverá enfrentar resistência no Congresso e entre integrantes de seu próprio gabinete. A Casa Branca disse que não haverá cortes em programas sociais como Medicare e Medicaid, que costumam ser alvo de republicanos defensores do rigor fiscal. 

Ao mesmo tempo, Trump e sua base de apoio no Congresso trabalham em um projeto de reforma tributária que inclui um acentuado corte de impostos. A combinação de mais gastos, manutenção de programas sociais e redução de tributos deve levar ao aumento do déficit público, o que contraria posições tradicionais dos republicanos sobre o equilíbrio fiscal.

“Nós teremos que fazer mais com menos e tornar o governo enxuto”, disse Trump na Casa Branca durante encontro com governadores. “O governo deve aprender a apertar o seu cinto, algo que as famílias ao redor do país aprenderam a fazer.”

Apresentação. O presidente vai detalhar sua proposta orçamentária em discurso que fará na noite de terça-feira em uma sessão conjunta do Congresso. Ele também apresentará suas prioridades para o primeiro ano de gestão. Além do Departamento de Estado, Trump deve propor cortes acentuados na Agência de Proteção Ambiental.

Mas a pretendida redução nos programas de assistência internacional deve enfrentar resistência do secretário de Defesa, John Mattis. Em depoimento no Congresso em 2013, ele afirmou que esse tipo de programa reduzia a probabilidade de conflitos internacionais. 

“Se vocês não garantirem recursos de maneira integral para o Departamento de Estado, eu terei de comprar mais munição”, disse o general aos parlamentares. “É uma relação de custo-benefício. Quanto mais nós investimos na diplomacia do Departamento de Estado, menos temos de colocar em um orçamento militar enquanto lidamos com o resultado de uma aparente retirada americana da cena internacional.”

A proposta de Trump está alinhada com sua filosofia que prega a “América em primeiro lugar” e defende a redução dos compromissos externos. O presidente disse nesta segunda que sua proposta orçamentária vai ajudar a manter dentro dos EUA os dólares que os contribuintes pagam em impostos. Os programas de assistência internacional abrangem ações ligadas ao combate ao terrorismo, na forma de apoio a comunidades e governos locais, combate ao extremismo ou ajuda humanitária.

A proposta de aumento dos gastos militares também enfrenta críticas dos falcões do Partido Republicano, que a consideram insuficiente. Principal representante dessa ala, o senador John McCain afirmou que os recursos pedidos superam em apenas 3% o que Barack Obama havia sinalizado para o orçamento de defesa de 2018. Segundo ele, o ex-presidente deixou as Forças Armadas “subfinanciadas, subdimensionadas e despreparadas”. Em sua opinião, o orçamento militar para o próximo ano deveria ser de US$ 640 bilhões, US$ 37 bilhões a mais do que deverá ser solicitado por Trump.

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