Os últimos judeus de Mianmá

Moses Samuels se recusa a ir para Israel. Ele tem um legado para cuidar. Como responsável da manutenção da única sinagoga de Mianmá - país asiático que faz fronteira com a Tailândia - Samuels é um exemplo de resistência à redução avassaladora da comunidade judaica. Hoje, apenas 20 judeus vivem no país e há o risco de não haver mais nenhum em uma próxima geração. Em um país predominantemente budista, Samuels, 50 anos, é tanto um ícone do judaísmo quanto a Sinagoga Musmeah Yeshua, de 105 anos, uma das construções de maior valor histórico da cidade de Yangon. "Se eu partir, quem irá tomar conta deste lugar", pergunta Samuels, que herdou o trabalho voluntário de "caseiro" da sinagoga de seu pai. "Isto é uma herança, mais importante para mim do que Israel", diz. Os judeus de Mianmá, também conhecida com Burma, são descendentes dos imigrantes do século 19, provenientes do Iraque, da Europa e da Índia, que vieram ou com o exército colonial inglês ou como comerciantes de arroz e algodão. Antes da 2ª Guerra Mundial, mais de 2.500 judeus vivam em Mianmá, a maioria com raízes em Bagdá, Iraque. Por volta de 1969, o número de judeus foi reduzido para 500 e hoje a apenas oito famílias. O restante se mudou para os Estados Unidos, Austrália, Índia e Israel a procura de uma vida melhor, motivados pela crença na Terra Prometida. O regime político do país, de nenhuma maneira "afetou o status da comunidade judaica. Eles não sofrem por serem judeus", diz Amir Shaviv, que faz parte de um comitê com base em Nova York, nos Estados Unidos, que tem ajudado judeus do mundo todo nos últimos 50 anos. A ameaça real à comunidade judaica vem de um círculo de auto-destruição. A emigração tornou difícil aos jovens judeus acharem esposas. "Demograficamente falando, parece que a comunidade está perto da extinção", afirma. "No entanto, há experiências de outras comunidades em situação semelhante que conseguiram mudar as circunstâncias rapidamente." Entre os 20 judeus de Mianmá, apenas cinco são solteiros: o filho de Samuels de 20 anos e as filhas de 22 e 25 anos, além de um homem de 38 anos e uma mulher de 35. Nenhum tem planos imediatos de se casar.

Agencia Estado,

26 Maio 2001 | 22h30

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