Paciência com Irã está no fim, diz embaixador dos EUA

A paciência dos Estados Unidos com o programa nuclear iraniano "está se esgotando", advertiu hoje o embaixador norte-americano Glyn Davies, enviado de Washington à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O comentário foi feito depois de a AIEA ter aprovado hoje, em Viena, uma moção de censura contra o Irã por causa de seu programa nuclear. Davies ressalvou, no entanto, que a resolução aprovada hoje "não tem caráter punitivo". O embaixador disse esperar que a moção dê "novo ímpeto ao caminho da diplomacia".

AE, Agencia Estado

27 Novembro 2009 | 12h51

O Reino Unido também se pronunciou sobre a censura ao Irã. "A resolução aprovada hoje pela AIEA envia ao Irã a mais dura mensagem possível de que suas ações e intenções continuam sendo motivo de grave preocupação internacional", declarou David Miliband, secretário de Exterior do Reino Unido.

"Como fica claro na resolução, o Irã precisa cumprir com suas obrigações tanto para com a AIEA como para com o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU)", afirmou Miliband. "A não ser que isso aconteça, continuará sendo impossível para a comunidade internacional ter alguma confiança nas intenções iranianas", prosseguiu.

China e Rússia

China e Rússia se uniram com Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos para pressionar pela resolução. Do grupo de 35 países da atual Junta de Governadores da AIEA, 25 concordaram com a moção de censura, segundo diplomatas. Três países votaram contra o texto: Venezuela, Malásia e Cuba. Abstiveram-se Brasil, Afeganistão, Egito, Paquistão, África do Sul e Turquia. Apenas um país, o Azerbaijão, não estava representado.

A resolução foi condenada pelo embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh. Segundo ele, o documento cria um "ambiente de confrontação". Mas o diplomata disse que o país não se retirará do Tratado de Não-Proliferação (TNP). A Rússia e a China, que mantêm estreitos laços com o Irã, apoiaram a censura após a revelação, em setembro, de que o país persa construía uma segunda planta nuclear, perto da cidade sagrada de Qom.

Soltanieh lembrou que já houve visitas de inspetores da AIEA à planta em Qom. Ele alertou de que haverá "consequências naturais para uma resolução como essa, porque este é um gesto hostil, não amigável".

Temor

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário. O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. As informações são da Dow Jones.

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