EFE/Kostas Tsironis
EFE/Kostas Tsironis

Países ricos receberam apenas 1,3% do total de refugiados sírios

Estudo revela que as economias desenvolvidas reassentaram somente uma fração pequena dos deslocados pela guerra

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / BRUXELAS, O Estado de S. Paulo

29 Março 2016 | 20h09

A crise dos refugiados revelou uma grande falta de solidariedade. Enquanto o fluxo de sírios não para, levantamentos indicam que a Europa e países ricos receberam apenas uma fração dos solicitantes de asilo.

Um estudo feito pela entidade Oxfam indicou que as economias desenvolvidas reassentaram apenas 1,3% do total de refugiados sírios e, num esforço para convencer Europa, Austrália, Japão e EUA a receber um volume maior de solicitantes de asilo, a ONU realizará hoje uma conferência sobre a questão.

No entanto, diversos governos boicotarão o evento e enviarão delegações compostas apenas por embaixadores, sem a presença de ministros. O reassentamento refere-se ao mecanismo previsto pela lei internacional que permite que um refugiado vivendo em condições de perigo ou precárias em outro país seja levado para um local seguro, num terceiro país.

No total, o conflito que já entrou em seu sexto ano deixou mais de 260 mil mortos. Mas outros 4,8 milhões de sírios foram obrigados a deixar o país. Desse total, a Oxfam estima que apenas 67,1 mil foram reassentados pelos governos ricos, o que representa apenas 1,3% do fluxo.

Segundo a Oxfam, apenas três países ricos – Canadá, Alemanha e Noruega – atuam de forma exemplar. Mas, na grande maioria dos casos, o número de pessoas acolhidas está muito abaixo do necessário.

 

O governo dos EUA havia se comprometido a reassentar 60 mil pessoas. Mas, até agora, recebeu apenas 1,8 mil refugiados sírios. Na Europa, as promessas também têm sido cumpridas apenas de forma parcial. Em setembro, o bloco se comprometeu a receber 160 mil refugiados. Mas até o fim de fevereiro apenas 870 tinham sido efetivamente “realocados”.

 

A França, por exemplo, prometeu receber 20 mil pessoas. Mas, até agora, não acolheu nem 300. A Espanha prometeu 9,5 mil lugares, mas recebeu apenas 18 pessoas. A Bélgica prometeu 3,8 mil vagas, no entanto acolheu somente 14 refugiados.

"Os países com economias fortes, serviços eficazes e infraestruturas desenvolvidas, podem reinstalar de imediato meio milhão de refugiados, se assim decidirem", atacou a diretora da Oxfam, Winnie Byanyima. 

Segundo ela, a situação dos países se contrasta com os mais de 2 milhões de sírios na Turquia e diante do fato de que um quinto da população já é composta por refugiados sírios.

Num esforço para repartir esse peso, a ONU realiza nesta quarta-feira uma reunião com o objetivo de "compartilhar a responsabilidade global". Para a entidade, 500 mil sírios devem ser realocados para outras partes do mundo até 2018, com o objetivo de garantir maior segurança, desafogar campos de refugiados e também reduzir a tensão entre populações locais e refugiados no Oriente Médio. 

A entidade vai pedir a governos que concedam vistos humanitários, transferências médicas e vistos para estudantes."Precisamos encontrar soluções", indicou Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.

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