Palestina apoia negociações indiretas com Israel

Fatah e OLP aprovam o início das conversas que serão intermediadas pelos EUA

AE-AP, Agência Estado

08 Maio 2010 | 13h21

RAMALLAH - Os líderes palestinos deram o seu apoio para negociações indiretas de paz com Israel, abrindo caminho para o primeiro esforço concreto da administração Obama de obter a paz no Oriente Médio. Agora, o emissário norte-americano ao Oriente Médio, George Mitchell, negociará com os líderes israelenses e palestinos por até quatro meses para tentar um acordo.

A decisão tomada neste sábado, 8, pela Organização de Liberação da Palestina (OLP) e pela Fatah era bastante esperada desde que o presidente palestino Mahmoud Abbas mostrou interesse em negociações indiretas e recebeu apoio da Liga Árabe.

Segundo o secretário geral da OLP, Yasser Abed Rabbo, os palestinos decidiram comprometer-se com Israel, mesmo indiretamente, porque eles receberam garantias norte-americanas "sobre as atividades de assentamento e a necessidade de interrompê-las".

Abbas contou que não terá um diálogo direto com Israel até que eles parem de construir novos assentamentos em terras que a Palestina conquistou em guerras e que ela quer para seu estado. Até o momento, Israel apenas concordou em uma redução parcial no West Bank, mas não a leste de Jerusalém, o setor da cidade onde os palestinos querem construir a futura capital.

As negociações indiretas foram elaboradas como um compromisso, mas o acordo foi colocado em dúvida em março, quando Israel anunciou novos planos de construir 1.600 casas para os judeus a leste de Jerusalém, enraivecendo os palestinos e fazendo com que eles recuassem na decisão de iniciar as negociações. Desde então, os Estados Unidos estão trabalhando para trazer os palestinos de volta para a mesa de negociações.

Segundo Abed, os Estados Unidos também asseguraram aos palestinos que os principais assuntos serão discutidos nas negociações de forma indireta, como as fronteiras do futuro estado palestino e a divisão de Jerusalém. Israel inicialmente argumentou que as negociações indiretas devem ser vistas como uma transição rápida para uma negociação direta, quando todas as questões seriam discutidas.

As discordâncias entre os dois lados permanecem substanciais. Os palestinos querem o West Bank, Gaza e o leste de Jerusalém, territórios que Israel conquistou na guerra de 1967. Eles disseram, contudo, que podem fazer algumas pequenas trocas de áreas. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirma, contudo, que não desistirá do leste de Jerusalém nem de áreas importantes do West Bank e também colocou condições estritas de segurança.

 

Israel

 

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, comemorou neste sábado a decisão da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e do movimento Fatah de aceitar a proposta americana para iniciar negociações indiretas com Israel.

 

"O ministro está feliz com a decisão, que tira os obstáculos às conversas de proximidade", afirma o comunicado divulgado por seu escritório duas horas depois que o Comitê Executivo da OLP e o Conselho Central do Fatah deram sinal verde ao processo negociador, com a mediação do enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

 

Segundo a nota, Barak acredita que, "com vontade e

responsabilidade para tomar as decisões corajosas necessárias, se pode chegar a conversas diretas e abrir o caminho para um acordo".

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