AFP PHOTO / Jaafar ASHTIYEH
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Palestinos protestam e Israel ataca Faixa de Gaza após Trump mudar status de Jerusalém

Hamas convoca população para fazer uma 'terceira intifada' e desencadeia reações violentas na região; aviões israelenses bombardeiam pontos em Gaza depois de ataques de foguetes de militantes islâmicos

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 20h45

FAIXA DE GAZA - Israelenses e palestinos entraram em confronto nesta quinta-feira, dia 7, no primeiro dia de protestos contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por parte dos Estados Unidos. O movimento islamista palestino Hamas convocou no mesmo dia uma nova revolta palestina contra Israel, conhecida como Intifada, palavra árabe para levante. Ao menos 22 palestinos e 3 soldados israelenses ficaram feridos na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e no leste de Jerusalém

Após convocação de Terceira Intifada, Israel ataca Hamas em Gaza

Ainda na quinta-feira, dia 7, conforme a tensão crescia em todo território palestino, três foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra o território de Israel. Um deles atingiu o sul do país e dois explodiram na Faixa de Gaza. Não houve relato de vítimas. O Exército israelense respondeu bombardeando dois locais em Gaza. “As Forças de Defesa de Israel responsabilizam o Hamas por esses ataques e responderão a eles”, afirmaram os militares por meio de sua conta no Twitter. 

A atual revolta pode ser o começo da terceira Intifada, como são conhecidas as revoltas populares de palestinos contra as forças israelenses. A primeira começou em dezembro de 1987, durou até 1993 e ficou marcada pela imagem de palestinos arremessando paus e pedras contra tropas israelenses. A Segunda Intifada teve início em 2000 e durou até 2005. Liderada pelo grupo palestino Hamas, contou com atentados suicidas e ataques a tiros. Três mil palestinos e mil israelenses morreram. De lá pra cá, houve vários conflitos, mas nenhum movimento coordenado o suficiente para ser chamado de Intifada.

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Agora, no entanto, o Hamas fez a convocação para o levante. “Só podemos enfrentar a política sionista apoiada pelos EUA com uma nova Intifada”, declarou na quinta-feira, dia 7, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em um discurso na Faixa de Gaza. “Amanhã (hoje), sexta-feira, 8 de dezembro, será um dia de ira e o começo de uma nova Intifada, chamada de libertação de Jerusalém.” 

O Hamas controla a Faixa de Gaza, não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado um grupo terrorista pelos EUA. Apesar de ter perdido força regional desde que a Irmandade Muçulmana, sua principal aliada, foi sufocada pelo golpe militar no Egito, em 2013, o Hamas ainda é a principal força política na Faixa de Gaza. 

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O Hamas é uma das facções da Autoridade Nacional Palestina (ANP), ao lado do moderado Fatah, que controla a Cisjordânia e é liderado por Mahmoud Abbas. Na quinta-feira, dia 7, Abbas viajou para a Jordânia para discutir a crise com o rei Abdullah II, um dos principais líderes regionais do Oriente Médio. Abbas e autoridades da ANP convocaram uma greve geral para hoje. 

O grupo libanês Hezbollah também anunciou apoio aos pedidos por um novo levante palestino em resposta à decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital. “Apoiamos o chamado por uma nova Intifada palestina e a escalada da resistência, que é a maior, mais importante e mais grave resposta à decisão americana”, disse o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah. 

A declaração do Hezbollah, um grupo xiita apoiado pelo Irã que faz parte do governo do Líbano, é um sinal da extensão da crise provocada pela decisão americana. O Hezbollah tem um Exército fortemente armado, com 100 mil mísseis apontados para o norte de Israel, segundo estimativas do Exército israelense. / AP, AFP e REUTERS

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