REUTERS/Tony Gentile
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Papa afirma a religiosos que falar mal dos outros é 'terrorismo'

Pontífice concluiu viagem a Bangladesh e voltou para Roma

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2017 | 08h34

DACA - O papa Francisco afirmou neste sábado, 2, durante um encontro com religiosos na Igreja do Santo Rosário, em Daca, no seu último dia de visita a Bangladesh, que promover intrigas e falar mal dos outros dentro das comunidades religiosas é como "fazer terrorismo".

"Preparei oito páginas, mas, para não aborrecê-los, vou fazer o discurso dizendo o que me ocorrer (na cabeça)", começou o papa, provocando riscos das centenas de sacerdotes, freiras, seminaristas e noviços que se reuniram para a passagem do pontífice.

O papa Francisco retornou, neste sábado, a Roma após concluir a viagem que começou na segunda-feira, 27, em Mianmar e terminou hoje em Bangladesh, uma visita que foi marcada pela crise dos refugiados da minoria muçulmana dos rohingyas.

O avião da companhia aérea bengalesa Biman que leva o pontífice decolou às 17h10 locais (9h10 em Brasília) do Aeroporto Internacional de Daca, capital de Bangladesh. Francisco deve chegar a Roma às 23h locais (20h em Brasília).

A visita de Francisco a Bangladesh, que começou na quinta-feira, 29, foi dominada pela crise dos refugiados rohingyas. Cerca de 620 mil membros desta minoria fugiram de Mianmar para o país vizinho desde agosto, após uma explosão de violência contra a comunidade.

Francisco repetiu, neste sábado, em Bangladesh o conceito que já expressou em alguns outros discursos: o do perigo das divisões dentro das comunidades católicas.

No discurso improvisado, o papa falou primeiro que os sacerdotes são brotos da semente que Deus plantou e pediu para que elas sejam cuidadas, para observarem como elas crescem e como é possível distinguir as boas das más plantas.

O pontífice ressaltou que não é fácil construir uma comunidade porque os defeitos e as limitações ameaçam a vida em grupo e a paz. No entanto, lembrou que a Igreja Católica de Bangladesh, um país de maioria islâmica, é muito ativa no diálogo inter-religioso e pediu que isso seja repetido dentro das comunidades católicas.

"Gosto de citar sempre um dos grandes defeitos, e alguns me criticarão porque sou repetitivo, mas o inimigo é o espírito das intrigas", disse Francisco.

"A língua é o que destrói uma comunidade. Falar mal dos outros, ressaltar os defeitos de outros, mas não dizer a eles próprios, assim criando desconfiança, receios e um ambiente em que não há paz", continuou o pontífice, afirmando que isso é "terrorismo".

"O que vai falar mal do outro não o diz publicamente, como o terrorista. O que vai falar mal do outro o faz às escondidas. Joga fora a bomba, vai embora e se a bomba destrói tudo, ele vai tranquilo colocar outras", concluiu o papa.

O papa então deu conselhos para evitar o problema. "Quando tiver vontade de falar mal de alguém, morda a língua. Talvez doa, mas vocês não farão mal a ninguém", sugeriu.

E, quando houver críticas, para Francisco, é melhor dizer diretamente para a pessoa ou para quem pode resolver o problema.

"Já vi muitas comunidades católicas serem destruídas pelas intrigas. Mordam a língua a tempo", afirmou.

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No discurso, que foi interrompido por aplausos e risos dos presentes, Francisco se despediu com um conselho.

"Sejam como o vinho e amadureçam até o final, que seus olhos brilhem com a alegria e a plenitude do Espírito Santo", disse o papa. / EFE

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