AFP PHOTO/POOL/MAURIZIO BRAMBATTI
AFP PHOTO/POOL/MAURIZIO BRAMBATTI

Papa compara centros de refugiados a ‘campos de concentração’

Pontífice criticou, ainda, sociedades com baixo nível de natalidade que fecham portas para imigrantes: ‘suicídio’

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2017 | 22h53

ROMA - O papa Francisco comparou, neste sábado, 22, alguns centros de detenção de refugiados na Europa a “campos de concentração”, enquanto homenageava uma cristã desconhecida que foi assassinada por sua fé na frente do marido muçulmano. O pontífice pediu aos governos que retirem os migrantes e refugiados desses locais.

"Esses campos de refugiados, muitos deles são campos de concentração, abandonados a povos generosos que os acolhem, que têm de passar esse peso para frente porque os acordos internacionais parecem ser mais importantes do que os Direitos Humanos", criticou o papa, durante uma cerimônia em memória dos mártires do século XX e XXI do Cristianismo.

Embora não tenha elaborado, parecia que o pontífice se referia a acordos que impedem os migrantes de cruzarem fronteiras. Em fevereiro, a União Europeia prometeu financiar campos de imigrantes na Líbia, em uma campanha para combater a imigração da África. Grupos humanitários criticaram os esforços para manter os migrantes na Líbia, onde eles sofrem detenção arbitrária, trabalho forçado, estupro e tortura, diz um relatório da ONU divulgado em dezembro do ano passado.

O pontífice recordou sua experiência durante uma visita a um campo de refugiados na ilha grega de Lesbos, em abril de 2016, onde conheceu o marido muçulmano e três filhos de uma cristã assassinada por terroristas devido à sua fé. Francisco disse que queria que a mulher fosse homenageada junto com os outros mártires na basílica de São Bartolomeu, em Roma.

“(O homem) me olhou e disse: ‘padre, eu sou muçulmano, minha mulher era cristã, e no nosso país chegaram os terroristas. Nos perguntaram qual era nossa religião, viram o crucifixo e a pediram que tirasse. Ela não quis e a degolaram na minha frente”, relembrou Francisco, que disse não saber se o homem ainda está em Lebos.

O papa não revelou a nacionalidade da família, mas muitos imigrantes de Lesbos na época da sua visita vinham da Síria. À época, Francisco voltou a Roma com três famílias sírias, que começaram na Itália uma nova vida. 

O papa se reuniu neste sábado com outros refugiados que chegaram à Europa e disse a eles que era necessário que a generosidade com os imigrantes que tinha visto em Lesbos e nas ilhas italianas da Sicília se propagasse pela Europa. “Vivemos em uma civilização que não tem crianças, mas que fecha suas portas aos imigrantes. Isso se chama suicídio”, disse o pontífice sobre sociedades com baixo nível de natalidade. / AFP, EFE e REUTERS.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.