DOKUZ 8/AFP
DOKUZ 8/AFP

Papa classifica ataques na Turquia como 'terrível carnificina'

Explosões deixaram mais de 90 mortos na capital Ancara

Com agências internacionais

11 Outubro 2015 | 08h51

O para Francisco liderou uma prece silenciosa pelas vítimas do que ele classificou como uma "terrível carnificina" na capital da Turquia, Ancara. Duas explosões mataram pelo menos 95 pessoas e deixaram 246 feridos no sábado, 10. Um grupo pro-curdos diz que as mortes ultrapassam 120. A ação foi o maior atentado terrorista já registrado em território turco, mas nenhum grupo reivindicou imediatamente a autoria do crime. O governo decretou luto oficial de três dias.

O papa fez uma pausa de 30 segundos durante a bênção deste domingo e disse que as notícias sobre os ataques em Ancara trouxeram "dor para os inúmeros mortos, dor para os feridos" porque os autores atingiram pessoas indefesas, que participavam de uma manifestação pela paz.

Os ataques. Segundo testemunhas, as explosões ocorreram com uma diferença de 10 segundos entre elas. O ministro da Saúde turco, Mehmet Muezzinoglu, disse que pelo menos 62 pessoas morreram ainda no local do atentado, que ocorreu quando grupos que participariam da manifestação estavam reunidos diante da estação de trens de Ancara. 

A marcha, convocada por sindicatos e outros grupos da sociedade civil, pedia o fim dos combates entre as forças do governo e militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que defende o estabelecimento do Curdistão em parte do território turco. 

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que as primeiras investigações indicavam que dois homens-bomba haviam cometido o atentado, detonando explosivos em meio à multidão. O premiê sugeriu que rebeldes curdos ou militantes do Estado Islâmico (EI) poderiam ser os responsáveis pelo ataque.

Após as explosões na capital, milhares de manifestantes encaminharam-se à praça Taksim, em Istambul, acusando o governo de ser responsável pelas explosões. Durante o protesto, gritos de “Erdogan assassino” foram entoados e faixas acusavam o AKP, partido do presidente, pelas mortes.

Há três meses, uma trégua entre o PKK e os militares turcos foi rompida e dezenas já morreram nos confrontos em áreas de fronteiras e cidades de maioria curda no sul do país. O governo do presidente Recep Erdogan afirma ter matado, desde então, 2 mil militantes. A milícia curda reivindica as mortes de 150 soldados e policiais como retaliação ao governo.

Reação. Sem mencionar o atentado na capital, o PKK emitiu comunicado na tarde de ontem anunciando novo cessar-fogo. “Nosso movimento decreta um período de inatividade das forças de guerrilha, exceto se nossos militantes e combatentes forem atacados”, afirmou o texto. “Não faremos nada que possa impedir a realização de eleições justas.”

O grupo se referiu à votação para escolha dos integrantes do Legislativo marcada para o dia 1.º de novembro, quando Erdogan tentará reverter a perda da maioria no Parlamento - na eleição realizada em junho.

“Assim como outros ataques terroristas, esse da estação de Ancara mira nossa unidade, irmandade e futuro”, disse Erdogan em comunicado pedindo “solidariedade e determinação” à população.

O presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou para o colega turco para oferecer condolências. Mais cedo, em comunicado emitido pela Casa Branca, os EUA reiteraram seu comprometimento em apoiar a Turquia na luta contra o terrorismo.

“O fato desse ataque ter ocorrido antes de uma manifestação pela paz enfatiza a depravação daqueles que o cometeram e serve como alerta para a necessidade de enfrentar os desafios de segurança comuns na região”, afirmou a nota da Casa Branca. 

Tensão. A Turquia, país-membro da Otan, está em alerta intensificado de segurança desde o início de uma “guerra sincronizada ao terror” em julho, que inclui ataques aéreos aos combatentes do Estado Islâmico na vizinha Síria e a bases do PKK no norte do Iraque.

O país também passou a permitir que aviões da coalizão americana que combate o EI na Síria usassem suas bases para realizar ataques aéreos na Síria.

O governo foi duramente criticado por atacar curdos no norte da Síria - os peshmergas são a principal força de oposição armada ao EI em partes do território sírio e evitaram o avanço do extremistas sobre cidades importantes, como Kobani, perto da fronteira com a Turquia. / AFP, EFE, AP e REUTERS

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