AP/ L'Osservatore Romano
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Papa pede perdão por crimes da Igreja contra povos indígenas na conquista da América

'Peço perdão não apenas pelas ofensas da Igreja Católica, como também pelos crimes cometidos contra os povos originários'

Luciana Nunes Leal, ENVIADA ESPECIAL / SANTA CRUZ DE LA SIERRA

09 Julho 2015 | 20h28

SANTA CRUZ DE LA SIERRA  - O papa Francisco pediu nesta quarta-feira, 9, perdão pelas ofensas e crimes cometidos pela Igreja Católica aos povos indígenas da América Latina durante a colonização do continente. A declaração do pontífice argentino foi dada durante 2.º Encontro Mundial de Movimentos Populares, no segundo dia de sua viagem à Bolívia, uma das maiores nações indígenas da América do Sul.

“Humildemente peço perdão não apenas pelas ofensas da própria Igreja Católica, como também pelos crimes cometidos contra os povos originários durante a chamada conquista da América”, disse Francisco.  “Digo com pesar que se cometeram muitos e graves pecados contra os povos originais da América Latina em nome de Deus. Peço que a Igreja se pouse diante de Deus e peça perdão pelos pecados passados e recentes. Meus antecessores já reconheceram e também quero reconhecer”

Para a plateia de 1, 5 mil participantes do encontro de movimentos populares, o papa chamou atenção para “velhas e novas formas de colonialismo” de países ricos, dos grandes meios de comunicação. 

Em relação aos países desenvolvidos, o pontífice afirmou que “nenhum poder constituído tem direito de privar os países pobres do pleno direito à soberania”. “Quando fazem isso, vemos novas formas de colonialismo. Os povos latino americanos pariram dolorosamente suas independências”, disse o papa.

Também mencionou os meios de comunicação. “Ações de concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretendem impor pautas alienantes de consumo e uniformidade cultural é uma forma de novo colonialismo, de colonialismo ideológico”, criticou.

Francisco pediu “ação coordenada na luta contra corrupção, narcotráfico e terrorismo, graves problemas dos nossos tempos”. O papa criticou conferências internacionais “sem resultados” e disse que os programas assistenciais dos governos aos pobres “são respostas passageiras”. “O que dá dignidade é a verdadeira inclusão”. Finalmente, afirmou que “é imprescindível que os povos construam alternativa humana à globalização excludente”. O papa fez várias vezes menções à preservação da “mãe terra”, como chamam os povos indígenas

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