Osservatore Romano/Handout via Reuters
Osservatore Romano/Handout via Reuters

Papa pede perdão a rohingyas por perseguição em Mianmar

Pela primeira vez Francisco cita a etnia da minoria muçulmana e diz que trabalhará para defender seus direitos

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 12h13

DACCA - O papa Francisco, que nesta sexta-feira,1,  se reuniu na capital de Bangladesh com 18 refugiados da minoria muçulmana dos rohingyas, se referiu a eles pelo nome pela primeira vez desde o início de sua viagem à Ásia.

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“A tragédia de vocês é muito difícil, muito grande, mas tem um lugar em nossos corações. Em nome de todos aqueles que os perseguem, que lhes fizeram mal, principalmente na indiferença do mundo, eu peço perdão!”, disse.

“A presença de Deus hoje também se chama rohingya”, declarou, ao término do encontro com os muçulmanos que fugiram da violência no país vizinho, de maioria budista. “Vamos continuar a trabalhar para garantir que seus direitos sejam reconhecidos.”

Shawkat Ara, uma menina de 12 anos, chorou ao encontrar Francisco: “Meus pais foram mortos, não tenho mais alegria”. Mohamed Ayub, de 32 anos, contou que seu filho de 3 anos foi morto na violência no Estado de Rakhine, epicentro da crise em Mianmar.

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Após visitar Mianmar, Francisco foi criticado por não ter usado o termo rohingya, considerado tabu no país. Uma das condições para que fosse recebido foi essa. O êxodo desta minoria constituiu o fio condutor da viagem de Francisco, que começou na segunda-feira em Mianmar e termina hoje à tarde em Bangladesh.

Mais de 620 mil pessoas da minoria muçulmana apátrida entraram em Bangladesh desde o fim de agosto. Eles tentam escapar da violência do Exército de Mianmar, que a ONU chamou de “limpeza étnica”. /AFP

 

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