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Papa quer reforçar ‘pontos fracos’ de finanças do Vaticano

José Maria Mayrink - O Estado de S. Paulo

09 Julho 2014 | 20h 49

Cardeal George Pell, responsável por implementar mudanças, anunciou que foco serão o clero e os fiéis

O prefeito da Secretaria para Economia do Vaticano, cardeal George Pell, declarou nesta quarta-feira, 9, que “existem muitos desafios e muito trabalho a ser feito”, mas o papa Francisco quer que as mudanças ocorram rapidamente, para enfrentar “pontos débeis e riscos” já identificados pela pontifícia comissão que estuda a organização da estrutura econômica e administrativa da Santa Sé.

O cardeal anunciou importantes iniciativas em relação à Administração do Patrimônio da Santa Sé (APSA), ao Fundo de Pensões, às mídias e ao Instituto para as Obras da Religião (IOR), nome oficial do Banco do Vaticano.

As novidades referem-se à Administração do Patrimônio, transferida na quarta para a Secretaria de Economia, que vigiará agências da Santa Sé, políticas e procedimentos de aquisições e distribuição de recursos humanos, tendo entre outras atribuições o estabelecimento de relações estreitas com todos os principais bancos centrais. O objetivo é garantir liquidez e estabilidade financeira ao Estado do Vaticano.

Um novo grupo dirigente passou a cuidar de promover a segunda fase de reformas do Banco do Vaticano, sob a direção do francês Jean-Baptiste de Franssu, dando continuidade à primeira fase, realizada pelo alemão Ernst von Freyberg, nomeado pelo agora papa emérito Bento XVI. As prioridades são reforçar o business do IOR, transferir o patrimônio para um novo “Vatican Asset Management” e concentrar as suas atividades a serviço do clero, congregações, dioceses e leigos dependentes do Vaticano.

O balanço definitivo consolidado da Santa Sé do ano de 2013, divulgado na terça-feira, 8,, registra um déficit de € 24.470.549, em razão, principalmente, segundo o Vaticano, das flutuações negativas derivadas da valorização do ouro (cerca de € 14 milhões).

Entre os maiores gastos, está o setor de pessoal, que em 31 de dezembro consumiu cerca de € 125 milhões brutos. Mais de € 15 milhões foram pagos em impostos.

O governo da Cidade do Vaticano, que tem administração autônoma e independente das contribuições da Santa Sé, fechou o balanço com superávit de  33.040.583, com aumento de aproximadamente  10 milhões em comparação com o ano anterior. Em dezembro, o Vaticano tinha 1.951 funcionários.

Em 2013, o lucro líquido do Banco do Vaticano caiu de  86,6 milhões para  2,9 milhões. A queda deve-se, principalmente, aos custos do processo de reforma do IOR. No ano passado, a instituição fechou cerca de 3 mil contas, o que levou à saída de quase  44 milhões, segundo a Rádio Vaticano. 

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