Paquistão e Índia negociam a paz

O Paquistão e a Índia, potências nucleares rivais que travam uma das disputas fronteiriças mais sangrentas e persistentes do mundo, avançaram hoje em direção a um diálogo político com a aceitação oficial do governante militar paquistanês de um convite para uma visita a Nova Délhi. O general Pervez Musharraf afirmou em uma carta enviada ao primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, que aceita o convite "com grande prazer". "Desejamos uma Índia estável e próspera, em paz com seus vizinhos", acrescenta a carta. Em Nova Délhi, o porta-voz da chancelaria, Raminder Singh Jassal, afirmou que "nos alegra muito" o fato de Musharraf "ter respondido positivamente ao convite de nosso primeiro-ministro". O futuro encontro entre os dois líderes fez ressurgir as esperanças de uma retomada das negociações para solucionar a disputa sobre a Caxemira, a região himalaia que é freqüente cenário de violência e motivo de duas das três guerras já travadas entre os dois países desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947. Dois terços da região são controlados pela Índia, de religião hindu, que enfrenta uma luta separatista de grupos ligados ao Paquistão, de religião islâmica. O porta-voz de Musharraf, general Rashid Quereshi, disse que o líder paquistanês também estaria disposto a debater a questão das armas nucleares, "embora o centro das conversações deva ser o tema da Caxemira". "O general Musharraf disse que se a Índia desejar tratar de uma redução das armas nucleares ou de outros tipos, poderemos conversar". Segundo ele, o Paquistão é favorável à criação de uma "zona livre de armas nucleares".

Agencia Estado,

29 Maio 2001 | 17h51

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