Novas sanções da ONU são 'ato de guerra', reage Coreia do Norte

Conselho de Segurança da ONU limitou fornecimento de petróleo a Pyongyang em votação unânime; regime norte-coreano afirma que não encerrará programas militares

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2017 | 06h21
Atualizado 24 Dezembro 2017 | 14h31

PYONGYANG - A Coreia do Norte reagiu neste domingo, 24, às novas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU e chamou as medidas de “ato de guerra” que têm a intenção de levar a um bloqueio econômico completo do país. Pyongyang reafirmou que continuará realizando seus programas nuclear e balístico.

O Conselho de Segurança endureceu na sexta-feira 22 as medidas de represália contra a Coreia do Norte por meio do voto unânime da resolução apresentada pelos Estados Unidos visando o setor de petróleo e os trabalhadores norte-coreanos no exterior. 

"Nós rejeitamos totalmente as últimas sanções da ONU como um ataque violento à soberania da nossa república e a um ato de guerra que destrói a paz e a estabilidade da península coreana e da região", afirmou a chancelaria da Coreia do Norte, em um comunicado emitido pela agência oficial de notícias KCNA.

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A proposta, em reação ao último teste balístico intercontinental realizado no dia 29 de novembro, recebeu o surpreendente apoio de Rússia e China – aliados de Pyongyang. No dia 29, Kim Jong-un proclamou que seu país havia se tornado um Estado nuclear operante ao testar o míssil Hwasong-15, capaz, segundo ele, de atingir qualquer lugar nos EUA. 

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, chamou a Coreia do Norte de “exemplo mais trágico do mal no mundo moderno” e disse que as novas sanções “refletem a indignação internacional com as ações do regime”. Pyongyang justifica o desenvolvimento de seus programas militares pela ameaça que os EUA representam à sua própria existência.

A resolução de sexta-feira visa os expatriados norte-coreanos, que deverão ser enviados de volta aos seus países até o final de 2019. O projeto previa, inicialmente, um prazo de 12 meses, mas a Rússia interveio para prorrogá-lo e no fim o prazo ficou em 24 meses.

Dezenas de milhares de norte-coreanos vivem no exterior, principalmente na Rússia e na China, para trabalhar. Segundo a ONU, trabalham em “condições próximas da escravidão”.

Mais importante, o texto aprovado determina a redução em 90% do fornecimento à Coreia do Norte de petróleo bruto e refinado, a maioria proveniente da China. Além disso, ficou decidido que se Pyongyang realizar novos testes, o Conselho “agirá para reduzir ainda mais as exportações de petróleo para a Coreia do Norte”. 

Especialistas concordam que  Pyongyang fez progressos, mas duvidam que o país domine a tecnologia para levar um míssil de volta à atmosfera. /NYT, RFI  e AFP

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