EFE/EPA/ABIR ABDULLAH
EFE/EPA/ABIR ABDULLAH

Para entender: A minoria rohingya, maior população apátrida do mundo

Muçulmanos sunitas que falam um dialeto de origem bengali, eles fugiram nos últimos anos para Malásia e Indonésia, mas outros decidiram partir para Bangladesh

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 15h57

RANGUM, MIANMAR - Um milhão de rohingyas vivem em Mianmar, alguns há várias gerações. Para os habitantes locais, porém, eles são bengalis, o que os transforma na maior população apátrida do mundo.

Com cerca de 400 mil pessoas que fugiram para Bangladesh desde o dia 25 de agosto, a atual crise tem raízes na divisão das Índias britânicas, que incluíam Mianmar e Bangladesh.

Quem são os rohingyas?

São muçulmanos sunitas que falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste do Bangladesh, de onde são originários. Muitos vivem no Estado de Rakhine, no noroeste de Mianmar, mas são apátrida, porque o país lhes nega a cidadania.

A lei de Mianmar sobre a nacionalidade de 1982 especifica que apenas os grupos étnicos que podem demonstrar sua presença no território antes de 1823, data da primeira guerra anglo-bereber que levou à sua colonização, podem obter a nacionalidade de Mianmar. No entanto, os representantes dos rohingyas garantem que sua comunidade tinha representantes neste país há muito mais tempo.

Nos últimos anos, milhares deles fugiram para a Malásia e a Indonésia. Outros decidiram seguir para Bangladesh, país para onde milhares já fugiram desde o início da violência entre o Exército de Mianmar e os rebeldes no fim de agosto.

Como vivem?

Considerados estrangeiros em Mianmar, os rohingyas são vítimas de múltiplas discriminações: trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras de casamento injustas e confisco de terras. Eles também têm acesso limitado à educação e a outros serviços públicos.

Desde 2011 e da dissolução da junta militar que imperou por quase meio século no país, as tensões entre as comunidades aumentaram. Um poderoso movimento de monges nacionalistas não se absteve de provocar o ódio, considerando que os muçulmanos representam uma ameaça para Mianmar, país com mais de 90% de sua população budista.

Histórico

Em 2012, foram registrados confrontos violentos entre budistas e muçulmanos, deixando quase 200 mortos, especialmente muçulmanos. Em outubro, houve novos episódios de violência, quando o Exército lançou uma grande operação, após ataques a postos de fronteira por homens armados no norte do Estado de Rakhine.

Acusando as forças de segurança de múltiplos excessos de violência, milhares de civis abandonaram seus povoados. A mesma situação se repete desde agosto, mas de forma mais grave.

A autoria dos ataques que provocaram a operação militar foram reivindicados pelo Exército de Salvação Rohingya de Arakan, grupo que surgiu recentemente na ausência de avanços por parte do governo de Mianmar na questão dos rohingyas. Uma comissão internacional liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan pediu recentemente ao país que conceda mais direitos à sua minoria muçulmana. / AFP

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