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Para Lula, protesto é choro de ''perdedores''

Presidente diz não acreditar que tenha havido fraude

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Jamil Chade ,
O Estadao de S.Paulo

16 Junho 2009 | 00h00

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, insinuou seu aval à vitória de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições no Irã e qualificou as manifestações violentas pelo país de "protesto de quem perdeu". Lula, assim como já tinha feito Ahmadinejad, comparou os confrontos no Irã a choques entre torcedores de futebol. O presidente, que estava ontem em Genebra, minimizou a possibilidade de que tenha ocorrido uma fraude. "Não é o primeiro país que tem uma eleição na qual alguém ganha e quem perde faz protesto. No Brasil, isso está virando moda. As pessoas que ganham as eleições perdem na Justiça e a oposição toma posse", alertou o presidente. "Eu não posso avaliar o que aconteceu no Irã. Agora veja, Ahmadinejad teve uma votação de 61% ou 62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude", apontou Lula. "Eu não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos", disse o presidente, durante uma entrevista em Genebra depois de participar de reuniões na ONU. IMPRESSÕES "Como estou muito distante do Irã, certamente nossos embaixadores vão começar a nos dar informação do que aconteceu lá. Mas a impressão que eu tenho é a de que o protesto é de quem perdeu. No Brasil nós já estamos assim de experiência", disse o presidente, estalando os dedos. "Eu também já participei de passeata com quem perdeu, já fiz protesto", disse. Lula ainda garantiu que o convite a Ahmadinejad para visitar o Brasil continua de pé. O iraniano estava sendo esperado no País em maio. Mas acabou cancelando a visita na última hora. Uma semana antes, Ahmadinejad havia se utilizado da mesma tribuna da ONU de onde Lula falou ontem para questionar o Holocausto. "Ahmadinejad viria (ao Brasil) e pediu para esperar o processo eleitoral. Na hora que quiser vir, eu o receberei", disse Lula. Pelo menos um dos ministros do governo, Paulo Vannuchi, havia confessado que tinha ficado aliviado com o cancelamento da viagem de Ahmadinejad. No domingo, o chefe da pasta de Direitos Humanos admitiu que torcia pela oposição no Irã. Lula ainda confirmou que deve ir a Teerã em 2010. "Eu pretendo viajar para o Irã. Eu pretendo arrumar uma data para o ano que vem e fazer uma visita ao Irã porque nós temos interesses em construir parcerias e aumentar as trocas comerciais", explicou. "O Brasil vai fazer todas as incursões que precisarem ser feitas para estabelecer as melhores relações com todos os países do mundo, e o Irã é um deles", concluiu Lula.

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