Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Para polícia de Chicago, não existe antídoto contra a violência nos EUA

Mais de 90% dos habitantes do país e dos funcionários policiais apoiam a implantação do controle obrigatório de antecedentes criminais de todos os que querem adquirir armas

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 12h48

CHICAGO - Integrantes da Associação Internacional de Chefes de Polícia reunidos em Chicago, nos Estados Unidos, admitiram na segunda-feira que não existe um antídoto contra a violência e as mortes provocadas pela posse de armas ilegais, um fenômeno que cresce em todo o país.

"Essa é uma crise que afeta as comunidades urbanas, suburbanas e rurais de todo o país, de costa a costa", declarou em entrevista coletiva o chefe de polícia do condado Baltimore, Jim Johnson. Ele também preside uma associação nacional de agências policiais para prevenir a violência.

Para Johnson, "não há um antídoto que o cure tudo", porém mais de 90% dos habitantes do país e dos funcionários policiais apoiam a implantação do controle obrigatório de antecedentes criminais de todos aqueles que querem adquirir armas.

"A vontade do povo deve ser ouvida", disse o policial, um dos 25 chefes de 9 grupos de segurança reunidos na conferência de Chicago, que contará nesta terça-feira, 27, com a presença do presidente Barack Obama.

Johnson disse que a lei federal atual apenas obriga que os clientes das lojas de armas sejam submetidos ao controle de antecedentes penais, sem levar em conta os donos desses negócios e outras pessoas envolvidas.

"É como se permitíssemos que 40% dos passageiros dos aeroportos passassem pelos controles de segurança sem serem revistados", opinou o chefe de polícia de Baltimore.

O superintendente da polícia de Chicago, Garry McCarthy, por sua vez, reivindicou que, além do controle das armas ilícitas, sejam corrigidas as falhas no sistema penal e se apliquem penas mais duras para os responsáveis.

McCarthy comentou que Chicago lidera o país na apreensão de armas ilegais, três vezes mais que Los Angeles e sete vezes mais que Nova York. No entanto, 27% dos detentos no condado de Cook, onde fica Chicago, cumprem penas por crimes relacionados a drogas e somente 4% estão presos por delitos com armas de fogo.

Em entrevista coletiva, informou-se que os 50 estados do país necessitam de uma regulação uniforme para controlar as vendas ilegais de armas.

A reunião, que se realiza no centro de convenções de Chicago, é a maior de seu tipo no mundo, com a participação de aproximadamente 14 mil profissionais de segurança pública. /EFE

Mais conteúdo sobre:
Chicago Estados Unidos violência armas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.