1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Para premiê turco, pedidos de abertura de fronteiras são ‘hipócritas’

- Atualizado: 11 Fevereiro 2016 | 09h 28

Ahmet Davutoglu afirma que as pessoas pedem à Turquia que abra as fronteiras mas não exigem que a Rússia pare com seus ataques no território sírio

HAIA - O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, qualificou na quarta-feira de "hipócritas" os pedidos para a abertura de suas fronteiras aos milhares de refugiados sírios que fogem da ofensiva do regime, apoiado pela Rússia, contra os rebeldes em Alepo.

"Creio que seja uma hipocrisia que alguns digam à Turquia que 'abra suas fronteiras' quando não dizem para a Rússia que 'já chega'", afirmou Davutoglu durante uma visita à cidade de Haia, onde seria entrevistado junto a seu colega holandês Mark Rutte.

Sofrimento dos moradores de Alepo, na Síria
AP Photo/SANA
Sofrimento dos moradores de Alepo, na Síria

Moradores se reúnem em rua atingida por bomberdeios em Alepo, na Síria. O exército da Rússia interveio no território sírio em setembro de 2015 em apoio ao presidente Bashar Assad. Para Moscou, operação procura combater Estado Islâmico e outros jihadistas em guerra contra o regime. Contudo, países ocidentais acusam os russos de atacarem também a oposição considerada democrática

Segundo a Organização das Nações Unidas, aproximadamente 31 mil sírios, sendo 80% mulheres e crianças, fugiram da região de Alepo em direção à fronteira turca desde que o regime sírio, com o apoio da aviação russa, lançou uma ofensiva no dia 1º de fevereiro.

A ONU e vários países pediram à Turquia que abrisse sua fronteira aos refugiados civis, que lotam os campos de deslocados no norte da Síria. Mas apesar das solicitações da comunidade internacional, Ancara mantém fechado o posto fronteiriço de Oncupinar, única passagem acessível entre o país e o norte da província de Alepo.

A Turquia se transformou na principal rota para refugiados sírios, afegãos, eritreus e de outras nacionalidades, muitos dos quais tentam, em seguida, uma arriscada travessia marítima até a Grécia. Os turcos acolheram até agora 2,7 milhões de pessoas, em sua maioria sírios, nos acampamentos de refugiados.

Dever humanitário

A França e a Grã-Bretanha exigiram na quarta-feira que a Rússia cesse seus bombardeios a Alepo e que o regime sírio permita um acesso mais fácil de sua população à ajuda humanitária, antes de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU.

"O regime e seus aliados devem respeitar suas obrigações humanitárias: deter os bombardeios cegos, suspender os cercos (às cidades sírias) e aceitar um acesso humanitário total", afirmou o embaixador francês na ONU, François Delattre.

"Não é um favor o que pedimos, é uma obrigação absoluta com o direito internacional", disse o diplomata antes de consultas a portas fechadas no Conselho de Segurança sobre a situação humanitária na Síria, na véspera de uma Conferência Internacional em Munique (Alemanha).

Moscou anunciou a intenção de apresentar propostas sobre um eventual cessar-fogo, mas seu embaixador na ONU, Vitali Churkin, se negou a dar qualquer informação à imprensa. "Vamos continuar promovendo uma solução política, uma rápida retomada das negociações" entre as facções sírias, disse.

"É o que vamos fazer em Munique", acrescentou Churkin, que acusou as potências ocidentais de "explorar politicamente" a crise humanitária na Síria. "Não vamos nos desculpar pelo que fazemos", afirmou, acrescentando que a campanha militar russa se faz "de forma muito transparente".

A sessão do Conselho foi solicitada pela Nova Zelândia e pela Espanha para tratar do destino de milhares de refugiados sírios, provenientes de Alepo e bloqueados na fronteira turca. Segundo diplomatas, não se espera nenhuma declaração após a reunião.

O embaixador britânico Matthew Rycroft disse esperar "uma resposta adequada da Rússia com as preocupações" sobre a situação humanitária durante a conferência de Munique nesta quinta-feira, 11, que reunirá 17 países do Grupo Internacional de Apoio à Síria. /AFP e EFE

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX