JEWEL SAMAD/AFP
JEWEL SAMAD/AFP

Para Rouhani, acordo nuclear do Irã beneficia todos os lados envolvidos

Presidente afirmou que pacto pode ser usado para acabar com tensões na região; líder supremo do país pediu que iranianos respondam às ameaças de Donald Trump

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2017 | 10h42

DUBAI - Ao contrário do que o presidente dos EUA, Donald Trump, pensa, o acordo entre o Irã e potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano é um pacto de "ganha-ganha", disse nesta terça-feira, 7, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, destacando que ele pode ser usado como exemplo para acabar com demais tensões na região.

"O novo presidente dos EUA lê o texto do acordo nuclear mas não consegue aceitá-lo. Ele diz que é o pior acordo da história", disse Rouhani em um discurso televisionado ao vivo na emissora estatal.

"Esse é um pacto ganha-ganha. Todos se beneficiam. As negociações nucleares podem ser usadas como um exemplo para outras conversas para levar estabilidade e segurança à região", acrescentou.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou o alerta feito por Trump para Teerã interromper os testes de mísseis, e pediu aos iranianos para responderem às "ameaças" do americano na sexta-feira, no aniversário da Revolução de 1979.

"Nenhum inimigo pode paralisar a nação iraniana", disse Khamenei, segundo seu site oficial, em um encontro com comandantes militares na capital iraniana. "(Trump) diz 'vocês deveriam ter medo de mim'. Não! O povo iraniano irá responder suas palavras em 10 de fevereiro (aniversário da Revolução) e irá mostrar sua posição contra tais ameaças.”

Khamenei também afirmou que Trump "mostra o verdadeiro rosto dos EUA". "Agradecemos a este senhor porque nos facilitou o trabalho mostrando o verdadeiro rosto dos Estados Unidos", disse. “O que dizemos há mais de 30 anos - que existe corrupção política, econômica, moral e social no poder americano - este senhor chegou e trouxe à tona durante a campanha eleitoral e depois.” "Com o que está fazendo, mostra a realidade dos EUA, a realidade dos direitos humanos neste país: algemam uma criança de cinco anos", acrescentou o líder iraniano.

s meios de comunicação locais informaram que um menino iraniano de cinco anos havia sido algemado em um aeroporto americano depois do decreto do presidente Trump que proibia a entrada dos cidadãos de sete países, entre eles o Irã. A Justiça americana bloqueou provisoriamente a ordem do novo presidente.

"O Irã está brincando com fogo - eles não apreciam o quão 'gentil' o presidente Obama foi com eles. Mas não eu!", escreveu Trump recentemente em sua conta no Twitter. Desde sua posse, no dia 20 de janeiro, existe uma forte tensão entre os EUA e o Irã, que romperam relações diplomáticas pouco depois da vitória da Revolução Islâmica e a ocupação da embaixada americana em Teerã. / REUTERS e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.