Fethi Belaid/AFP
Fethi Belaid/AFP

Para Unesco e Nações Unidas, Nobel da Paz é reconhecimento dos que lutam pela democracia

Diretora-geral da Unesco diz que Tunísia representa ‘esperança para mundo árabe’

O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2015 | 10h41

PARIS (atualizada às 12h30) - A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, celebrou a conquista do prêmio Nobel da Paz atribuído nesta sexta-feira, 9, ao Quarteto Nacional de Diálogo Tunisiano, e afirmou que “é um chamado para se apoiar todas as forças da sociedade civil que lutam pela democracia”. Ela também afirmou em um comunicado que a premiação representa um reconhecimento de todos aqueles que lutam por “um pluralismo e um Estado de direito”.

“A partir do momento em que esses princípios se tornam inaceitáveis é precisamente quando devemos nos reafirmar com mais força, por meio de um diálogo, mobilização dos jovens, sem diferença de gêneros, origens e religião”, disse Bokova.

Sete meses depois do ataque terrorista no Museu do Bardo, na Tunísia, “um lugar de conhecimento e diálogo de culturas, essa mensagem nunca foi tão atual”, afirmou a diretora-geral, para quem o país “representa a esperança para o mundo árabe”.

O diretor de comunicação das Nações Unidas em Genebra, Ahmad Fawzi, também se pronunciou sobre a premiação. “Mais do que qualquer coisa, o prêmio é visto como um encorajamento ao povo tunisiano que, apesar de ter grandes desafios, lançou as bases para uma fraternidade nacional, a qual o Comitê espera servir como um exemplo a ser seguido por outros países”, afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou que o Nobel da Paz concedido ao Quarteto tunisiano representa um reconhecimento para todos aqueles que iluminaram a Primavera Árabe no país. "Saudação ao povo da Tunísia. Este reconhecimento pertence a todos aqueles que deram vida à Primavera Árabe e que estão se esforçando para defender os sacrifícios de tantos", disse Ban em comunicado.

O chefe da ONU felicitou as organizações e afirmou que, acima de tudo, o prêmio destaca que o caminho rumo à democracia requer um "processo inclusivo". "A Primavera Árabe começou com grandes esperanças que em breve foram substituídas por graves dúvidas. A Tunísia conseguiu evitar a decepção e as esperanças frustradas que apareceram tragicamente em outros lugares", assinalou o secretário-geral.

Ban destacou que o Quarteto da Tunísia demonstra que "graves problemas políticos podem ser resolvidos com diálogo e políticas de consenso". "Seu exemplo é uma inspiração para a região e para o mundo", ressaltou. Além disso, ele garantiu que a ONU continuará apoiando a Tunísia na construção da "nação pacífica e democrática que os tunisianos merecem".

O Quarteto Nacional de Diálogo Tunisiano recebeu o Nobel da Paz de 2015 "por sua contribuição decisiva para a construção de uma democracia plural".

O sindicato, formado pela União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Ugica), a Ordem dos Advogados e a Liga Tunisiana dos Direitos do Homem, foi criado com o intuito de estabelecer pontes entre o partido islamista Ennahda e a oposição laica, de forma a retirar o país de uma profunda crise política iniciada em 25 de outubro de 2013, e que pôs em risco o sucesso da abertura democrática. /AFP e EFE

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