Paramilitares fazem megasseqüestro

O comandante das Forças Armadas da Colômbia informou nesta quarta-feira que 190 pessoas foram seqüestradas, na maior tomada de reféns em massa da história do país. Em entrevista a uma rádio colombiana, o general Fernando Tapias disse que os reféns foram seqüestrados nesta terça-feira nas planícies rurais do leste do país e levados em ônibus, a pé e até mesmo em bicicletas. Durante toda a quarta-feira, circularam versões desencontradas sobre o paradeiro das cerca de 190 pessoas aparentemente seqüestradas por grupos paramilitares. As informações conflitantes foram divulgadas por autoridades civis e militares da região leste da Colômbia, gerando confusão. "Há 27 trabalhadores que ainda não chegaram a suas casas entre os que foram interceptados por este grupo. Os demais já estão de volta", disse mais cedo o comandante das Forças Armadas, general Fernando Tapias. Em contraste com a versão militar, Hildebrando León, prefeito de Villanueva - município situado a 130 quilômetros de Bogotá, onde ocorreram os seqüestros - afirmou que quase 200 pessoas, entre as quais 55 menores, continuavam retidas. "O grupo seqüestrado ontem (terça) continua retido desde as cinco da tarde do dia anterior e, até o momento, não temos confirmação de nenhuma libertação", disse o prefeito ao canal de televisão RCN. Na terça-feira, logo após terminarem sua jornada de trabalho, empregados de plantações de palmito foram interceptados por supostos membros das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), de extrema-direita, segundo autoridades militares. Até o momento em que fizeram as declarações à Associated Press as autoridades disseram que dois caminhões que conduziam esses camponeses haviam sido recuperados. Villanueva, o local onde ocorreu o seqüestro em massa, fica no departamento de Casanare, que havia permanecido praticamente à margem do conflito interno em que a nação está mergulhada há 37 anos. "Há muita preocupação... por essa retenção em massa que inclui mulheres", disse pela manhã o prefeito León à rádio Caracol, acrescentando que centenas de familiares estavam concentrados diante da prefeitura à espera de notícias sobre os seqüestrados. As autoridades disseram desconhecer os motivos do seqüestro. As AUC, supostas responsáveis pelo rapto dos camponeses e que se consolidaram em meados da década de 90 até chegarem a contar com uma força de 8.000 combatentes, nasceram como um grupo anti-seqüestro. A tática do seqüestro é utilizada como uma das fontes do financimento das guerrilhas esquerdistas, seus ferozes inimigos. Os paramilitares são acusados de responsáveis pela maioria dos massacres cometidos no país e de serem os maiores violadores dos direitos humanos. No departamento de Casanare, é muito forte a presença das AUC, afirmou o general Eduardo Santos, comandante da 2ª Divisão do Exército, com jurisdição nesta zona. O último seqüestro maciço ocorreu em Arauca em 16 de abril, quando 34 petroleiros foram raptados pelo insurgente Exército de Libertação Nacional (ELN) e libertados três dias depois. No ano passado, registraram-se na Colômbia 3.700 casos de seqüestro.

Agencia Estado,

16 Maio 2001 | 22h41

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