EFE/Mauricio Arduin
EFE/Mauricio Arduin

Parentes de tripulantes do submarino desaparecido deixam a base

Sem esperanças de encontrar sobreviventes, famílias e amigos se despedem dos 44 marinheiros do submarino ARA San Juan

Luiz Raatz, de Mar del Plata, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2017 | 21h54

MAR DEL PLATA - Um dia após a confirmação de que uma explosão atingiu o submarino ARA San Juan no dia 15, parentes dos 44 tripulantes buscavam ontem a melhor maneira de lidar com a dor da perda. A maioria decidiu voltar para casa e abandonara a Base Naval de Mar del Plata. Alguns ficaram, seja à espera de um milagre ou de mais notícias dos marinheiros. 

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 Luis Tagliapetra é pai de Alejandro Damián, de 27 anos, um dos tripulantes do submarino. “Estamos mal. Destruídos. Ontem (quinta-feira) foi um dia terrível. Eles me ligaram da base dizendo que estava comprovada a explosão, que estavam todos mortos”, disse. “O chefe da base me deu os pêsames e disse que meu filho era um grande marinheiro. Era, ele disse.”

Uma das mais indignadas com a notícia da explosão do submarino era Jessica Gopar, mulher do submarinista Fernando Santilli. Ela recorreu às redes sociais para despedir-se do marido. “Adeus, amor!”, escreveu Jessica no Twitter. “Continuarei por nosso filho, Stefano. Papai agora é um anjo.”

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Na tarde de ontem, uma procissão em homenagem à tripulação percorreu as ruas de Mar del Plata em direção à base. Dezenas de pessoas acompanharam uma imagem de Nossa Senhora, que chegou no início da noite ao local onde alguns poucos parentes ainda resistiam em luto. Houve orações e silêncio. 

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Mistério no mar. As evidências do que pode ter selado o destino dos 44 submarinistas continuam escassas. Tagliapetra disse que as informações que recebeu a respeito do acidente indicam que houve um acúmulo de hidrogênio na cabine, decorrente de um problema na bateria. Uma faísca teria provocado a explosão. “É difícil de acreditar nessa hipótese”, disse. “Isso significaria uma tremenda falta de profissionalismo ou uma falha dos equipamentos de medição de hidrogênio.”

Maria Rosa Belcastro, mãe do tenente Fernando Villarreal, de 38 anos, criticou a cúpula da Marinha argentina. “Eu gostaria de dizer ao almirante Marcelo Srur que ele não tem condições de comandar. E peço ao presidente Macri que ele coloque ordem na casa”, disse Maria, em referência ao chefe do comando naval, cujo cargo estaria em risco, segundo a imprensa argentina. 

 

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