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Internacional

Crise migratória

Paris e Berlim relançam cotas de refugiados na União Europeia

Hollande e Merkel definem estratégia diplomática para próxima reunião de cúpula entre europeus e o governo da Turquia

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Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS,
O Estado de S. Paulo

05 Março 2016 | 07h00

Os governos de França e Alemanha acertaram ontem uma ofensiva diplomática para tentar relançar a política de cotas de imigração na União Europeia. A determinação foi anunciada após um encontro bilateral entre o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, no Palácio do Eliseu, em Paris. 

Os dois líderes afinaram o discurso sobre a política migratória do bloco europeu e sobre as exigências que serão feitas à Turquia em troca da transferência de € 3 bilhões acertada com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. 

Na segunda-feira, os chefes de Estado e de governo da UE e Erdogan realizarão cúpula em Bruxelas sobre imigração, no momento em que a crise dos refugiados volta a explodir, dessa vez na Grécia. Ontem, Hollande confirmou que a França vai respeitar seu compromisso de receber 30 mil refugiados oriundos de zonas de guerra, como Síria, Iraque e Afeganistão. Esse total corresponde à cota estabelecida por Bruxelas para o país.  “A França e a Alemanha trabalham com o mesmo espírito e a mesma vontade”, afirmou Hollande.

A declaração põe fim a uma divergência maior entre os dois governos. Em 13 de fevereiro, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, fez críticas diretas ao governo de Merkel durante um evento em Munique, quando lamentou a abertura das fronteiras da União Europeia em 2015. Graças à medida, liderada pela Alemanha, mais de um milhão de imigrantes puderam ingressar no Espaço Schengen, a área de livre circulação de pessoas. 

Hollande e Merkel também acertaram a ofensiva diplomática sobre os demais países-membros da UE, em especial os do Leste – como a Hungria –, para que aceitem a política de cotas para distribuição de refugiados políticos no interior do bloco, em troca do reforço das fronteiras exteriores. 

Essa estratégia aliviaria a pressão sobre a Alemanha, o país que mais recebe interessados em refúgio político, e também a Grécia e a Itália, as duas maiores portas de entradas de imigrantes no continente. 

“A Alemanha e a França estão de acordo no que diz respeito à proteção de nossas fronteiras exteriores, de forma a manter a liberdade de movimentos no interior da Europa e para sair pouco a pouco dos controles de fronteiras (internas)”, disse a chanceler alemã. “Além disso, por razões de segurança, devemos saber quem entra na Europa.”

Parceria. Outro foco da ofensiva política do bloco é a Turquia. O objetivo é fazer com que Erdogan aceite receber de volta todos os imigrantes “econômicos” – aqueles que buscam empregos ou oportunidades na Europa –, deixando passar apenas parte dos candidatos a refúgio, que são originários de zonas de conflito. 

Ainda segundo o acordo com a UE, a Turquia deverá conceder refúgio a todos os sírios – mais de 2,7 milhões –, em troca de financiamento: € 3 bilhões a serem empregados em ajuda humanitária.

O retorno da crise dos refugiados é a prioridade absoluta da política europeia no momento. Isso porque mais de 70 mil imigrantes já se acumulam na Grécia, 9 mil dos quais à espera de uma oportunidade de cruzar a fronteira com a Macedônia.

No ano passado, milhares de imigrantes ficaram presos em campos de refugiados na Hungria em virtude da negativa do governo local em abrir suas fronteiras com a Áustria e a Sérvia.

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