Parlamento julgará impeachment do presidente da Indonésia

O Parlamento da Indonésia aprovou hoje, por maioria absoluta, uma proposta para que o presidente Abdurrahman Wahid seja submetido a um julgamento político por acusações de corrupção e incompetência. Enquanto os membros de partidos de oposição diziam que o mandatário - um clérigo islâmico de 60 anos e quase cego - será destituído antes de agosto, forças de segurança se enfrentavam com milhares de partidários de Wahid em frente ao Parlamento, em Jacarta, e em sua província natal de Java Oriental, onde um homem morreu baleado. O voto de censura, o terceiro emitido apenas neste ano, foi aprovado por 365 votos a 4. Nele está incluído o pedido formal à Assembléia Consultiva do Povo, o máximo organismo legislativo do país, para que convoque uma sessão especial para decidir o futuro político do presidente. Depois de um longo debate, sete das 10 facções da legislatura respaldaram a medida que poderá levar ao poder a vice-presidente Megawati Sukarnoputri, filha do fundador da Indonésia, Sukarno. Os membros do partido de Wahid e um reduzido grupo cristão abandonaram o plenário antes da votação, e uma facção que representa os militares se absteve. Apesar da crescente pressão, Wahid "não pensa em renunciar" ou declarar estado de emergência e dissolver o parlamento, disse seu porta-voz. Embora Megawati tenha recusado na semana passada uma oferta de Wahid para dividir o poder, o ministro das Relações Exteriores indonésio, Alwi Shihab, disse que o presidente ainda tem tempo para chegar a um acordo com seus oponentes e permanecer no poder. O mandatário não assistiu à sessão parlamentar de hoje, mas presidiu uma reunião de líderes do grupo de países em desenvolvimento, conhecido como G-15. No momento da votação, Wahid presidia um banquete em honra de seus convidados estrangeiros, entre eles o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o da Venezuela, Hugo Chávez. Enquanto os deputados votavam o futuro de Wahid, cerca de 6.000 partidários do presidente, muitos deles armados com facas e paus, reuniram-se em frente ao prédio do Parlamento e pediram sua dissolução. Aproximadamente 1.000 pessoas conseguiram penetrar a cerca que rodeia o complexo, mas foram contidas muito antes de chegar ao principal edifício por quatro filas de soldados, apoiados por tanques e outros veículos blindados. Os policiais se enfrentaram brevemente com os manifestantes. Em Java Oriental, terra de Wahid, cerca de 600 pára-quedistas saltaram sobre a aldeia de Pasuruan e efetuaram disparos de advertência para dispersar a multidão. Segundo médicos de um hospital local, um manifestante morreu e quatro foram feridos por disparos. também foram efetuados disparos na cidade de Malang.

Agencia Estado,

30 Maio 2001 | 16h57

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